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quinta-feira, 12 de abril de 2012

12 de abril de 1972, o início da luta heróica.

"Guerrilheiro nada teme, jamais se abate, afronta a bala a servir. Ama a vida, despreza a morte e vai ao encontro do porvir".

Os antecedentes da formação da guerrilha

 Bandeira do tempo em que o PCdoB era um partido comunista, revolucionário guiado sob a correta linha do marxismo-leninismo e do "pensamento Mao Tsé Tung".
Ha 40 anos atrás, exatamente em 12 de abril de 1972 inciava-se a guerra popular no Araguaia, comandada pelas Forças Guerrilheiras do Araguaia, o braço armado do Partido Comunista do Brasil.
A correta linha revolucionária adotada pelo Partido Comunista do Brasil a partir de 1962, quando expulsou a camarilha revisionista de Luís Carlos Prestes, fez com que fosse formado um partido comunista militarizado sob a luz do então “pensamento Mao Tsé Tung”, que na época já mostrava a sua universalidade.
Em 1963 alguns militantes do PCdoB foram enviados à China para receberem treinamento militar. Em Shanghai havia uma escola militar para onde eram enviados militantes de vários partidos comunistas a fim de receberem instrução militar em um curso que durava 6 meses. Entre esses enviados à China, estavam Amaro Luís de Carvalho (um dos fundadores do PCR) e Osvaldo Orlando da Costa (comandante Osvaldão), que em 1966 seria enviado ao Araguaia com a finalidade de mapear a área e criar vínculos com as massas.


Delegação do Partido Comunista de Honduras e do Partido Comunista do Brasil reunidos com o presidente Mao em 1961.





Cisões em 1966
Ainda em 1966, ocorreriam cisões dentro do PCdoB, que dariam origem ao Partido Comunista Revolucionário e ao Partido Comunista do Brasil-Fração Vermelha.
A área escolhida para montar o núcleo de um exército popular guerrilheiro seria na região norte, em uma região conhecida como “bico do papagaio”, que ficava na divisa entre o sul do Pará e Maranhão e ao note de Goiás (atual estado do Tocantins). 
Essa escolha gerou problemas entre membros de dentro do PCdoB que apoiavam o desencadeamento da guerra popular no nordeste, isso somado à alguns desvios herdados do antigo PCB fizeram com que houvesse uma ruptura interna que daria origem ao Partido Comunista Revolucionário, organizado pelos camaradas Manoel Lisboa e Amaro Luís de Carvalho, conhecido como “Capivara”.
Apesar de o PCR ter uma linha política um pouco mais avançada que a do PCdoB, o partido não conseguiu mover uma luta tão grande quanto a do PCdoB no Araguaia.

As Forças Guerrilheiras do Araguaia
 
Destacamento das Forças Guerrilheiras do Araguaia.
Forças Guerrilheiras do Araguaia, assim se chamava o braço armado do PCdoB na região, tinha entre 80 e 100 guerrilheiros, possuía estatuto, bandeira e hino. Estava dividida em três destacamentos: A,B, e C. Além disso, gozava do apoio de 90% das massas da região, bem diferente do que a mídia burguesa informa sobre uma possível “falta de apoio das massas para dar continuidade na luta”.
Desde o final dos anos 60 e começo dos anos 70 os serviços de informação do exército fascista já tinham conhecimento da existência de uma guerrilha nessa região, porém, o exército reacionário só iniciou a campanha de contra-guerrilha no começo dos anos 70, mais exatamente em 12 de abril de 1972, como está escrito no diário de Maurício Grabois, antigo membro da Comissão Militar, e morto pelos militares fascistas em 1973:
"30/4 – Começou a Guerra Popular a 12/4. O inimigo, possivelmente informado por alguma denúncia, atacou de surpresa o Peazão (na Faveira, na beira do Araguaia) entre as 15 e as 16 horas daquele dia. Avisado com poucas horas de antecedência, pela massa, o Destacamento "A" retirou-se organizadamente para a mata. O Grupamento daquele Destacamento, que estava sediado no Peazão, dada a superioridade do adversário, não ofereceu combate, mas salvou seus efetivos, seu armamento e diversos materiais."
Apesar da resistência guerrilheira ter durado apenas 3 anos, dá para perceber de forma correta a afirmação feita pelo presidente Mao: “OS IMPERIALISTAS SÃO TIGRES DE PAPEL”. O exército brasileiro lançou três camapanhas para a destruir a resistência, mobilizando um total de 25 mil soldados em uma luta contra pouco menos de 100 guerrilheiros.

Destacamento guerrilheiro no Araguaia.
 
Duas das três ofensivas lançadas pelo exército reacionário resultaram em fracasso. Isso porque a maioria dos combatentes utilizados pelo exército reacionário eram recrutas, desmotivados e que também sabiam da miséria que o povo brasileiro se encontrava durante o regime militar, lutavam por um governo que não lutava por eles.
A maioria dos camaradas acabaram mortos em combates, ou mortos sob tortura depois de capturados pelas tropas fascistas, que até hoje não revelam aonde estão enterrados os restos mortais desses heróis do povo.
Durante a terceira campanha movida pelo exército fascista, que contou com mais de dez mil homens, as forças guerrilheiras foram finalmente desmobilizadas em meados de 1974, apesar de ainda haver focos de resistência até o começo de 1976, o exército reacionário deu como encerradas as operações em janeiro de 1975.

Causas da derrota

Tropas do exército fascista na região do Arauguaia.
 
Em dezembro de  1976 durante uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, o camarada Pedro Pomar apresentou um relatório onde apontava os êxitos e as causas da desmobilização das Forças Guerrilheiras do Araguaia, além de defender a continuidade da guerra popular no Brasil. Entre alguns desses erros sintetizados pelo camarada Pedro Pomar estão: os desvios foquistas sofridos pela guerrilha, pois se desviaram da diretriz revolucionária de que “a guerra popular é uma guerra de massas”, e que o exército revolucionário não deve ser constituido unicamente por comunistas. Outro erro apontado foi que durante a última ofensiva do exército reacionário ao invés de terem se dispersado pela selva, os destacamentos guerrilheiros se reagruparam, assim, o exército reacionário em sua investida pode cercar e aniquilar a maior parte dos guerrilheiros.
Infelizmente essa diretriz revolucionária jamais foi colocada em prática, pois, o exército fez uma incursão na casa onde acontecia a reunião do CC, matando dirigentes revolucionários como Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Drummond.
Encerradas as operações do exército fascista na região do Araguaia, as bases militares construídas na selva foram demolidas e o terreno onde elas se encontravam foram aterrados, isso serviria para dificultar a busca pelos restos dos guerrilheiros que foram assassinados sob tortura.

Como comunistas, devemos vingar a morte dos nossos combatentes!

Além das dificuldades de localização, ainda existe o medo dos moradores locais, vários foram torturados pelos repressores durante a ditadura, e a região até hoje ainda sofre com o poder de tiranetes locais, latifundiários, políticos e pistoleiros. Sem contar a impunidade de muitos militares que participaram das campanhas, como é o caso do major “Curió”, acusado pelo sequestro de cinco pessoas na região Araguaia durante o regime militar, além de ter confessado a responsabilidade do exército na morte cruel de 41 guerrilheiros, está impune, e foi prefeito pelo PMDB de uma cidade da região que foi batizada de Curionópolis, em sua homenagem. Essa é a justiça e a “transparência” do governo. Isso porque esses guerrilheiros eram comunistas, não lutavam apenas pelo fim do regime ditatorial, lutavam por um poder realmente democrático e popular, eles lutavam pelo poder das massas, e não pelo poder burguês.
Justiçar a morte desses camaradas não se resume apenas em indenizar as famílias e encontrar os restos mortais perdidos na selva, para se fazer jus a estes camaradas, devemos reorganizar o Partido Comunista do Brasil e seu braço armado, devemos justiçar suas mortes ao modo com que eles justiçavam a 40 anos atrás. Seus corpos jazem na selva, porém, a vontade de servir as massas de todo o coração, e o heroísmo revolucionário vivem em cada comunista revolucionário desse país, em cada um que se ousa a levantar bem alto a bandeira vermelha defendida por Marx, Lenin e Mao, em cada um que se ousa a lutar e vencer!

VIVA AOS 40 ANOS DA HERÓICA LUTA NO ARAGUAIA!

DEVOLVAM OS CORPOS DOS NOSSOS COMBATENTES!

VINGAR OS CAMARADAS MORTOS PELA REPRESSÃO FASCISTA!

RECONSTRUIR O PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL SOB A LUZ DO MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO!

YANKEES, GO HOME!


Textos para complemento:

Relatório de Pedro Pomar

Relatório de Ângelo Arroyo

Estatuto das Forças Guerrilheiras do Araguaia









3 comentários:

  1. Buenas camarada,

    Existe algum e-mail no qual eu possa entrar em contato? Queria discutir alguns assuntos.

    E sim, belissimo trabalho em recuperar e difundir a historia do nosso povo e levantar no ponto mais alto a bandeira marxista-leninista-maoista!


    Saudacoes vermelhas.

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  2. Buenas camarada. O e-mail para contato é grandedazibao@gmail.com

    Aguardo sua resposta.

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