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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Maoísmo ou pensamento Mao Tsé Tung?




Tratamos aqui em explicar o porquê em defendermos de forma incansável, e ferrenha a imposição do marxismo-leninismo-maoísmo no movimento revolucionário mundial e principalmente entre o proletariado brasileiro.

Entendemos que o maoísmo é a terceira e superior etapa da filosofia revolucionária do proletariado, é terceira etapa, precedida obviamente por outras duas, desse modo, o marxismo de Marx e Engels é a primeira etapa desta grandiosa filosofia e conjunto de leis baseadas no desenrolar das civilizações, principalmente a sociedade capitalista contemporânea.

Bolcheviques marchando em Moscou.

A segunda etapa consiste no leninismo, desenvolvido por Vladmir Ilitch Ulianov “Lenin” à frente da fração revolucionária bolchevique. Uns dizem que o leninismo é uma “deformação” do marxismo, consideram um “revisionismo”. Esse problema não é atual, e se estende desde que Lenin iniciou o trabalho no partido bolchevique em despertar as massas para a construção de um novo poder na Rússia czarista. Os ataques contra a figura do nosso companheiro partiram de diversas correntes: czaristas, social-democratas, trotskistas, anarquistas, e liberais.
O leninismo tornou-se marxismo-leninismo não apenas pelo pensamento leninista ter sido capaz de guiar a consolidação da “primeira ditadura do proletariado”, porém, o trabalho de Lenin serviu para fortalecer os princípios da filosofia marxista, quer dizer, Lênin preencheu algumas lacunas deixadas pelos marxistas do século XIX, que serviu para traçar uma linha muito clara entre os verdadeiros marxistas e os social-democratas que usurparam a IIª Internacional. Entre estes princípios, ou melhor, entre esses novos aportes podemos citar a contribuição do pensamento de Lenin para a compreensão do imperialismo que segundo o próprio Lenin era a “fase agonizante do capitalismo”, o trabalho dirigido por Lenin também serviu para mostrar e comprovar a necessidade e eficiência da organização do proletariado para tomar o poder, que só pode ser conquistado através da luta armada e não através do cretinismo parlamentar como pensavam e continuam a pensar os social-democratas e toda a ralé oportunista. O desmantelamento da linha oportunista de esquerda também foi outra contribuição, pois, segundo Lenin,  “o esquerdismo é a doença infantil no comunismo”.
Assumindo o a liderança da primeira ditadura do proletariado, a Rússia soviética em fase de reconstrução tornou-se o primeiro baluarte da revolução proletária mundial.
A organização da uma nova Internacional Comunista, a IIIª Internacional de 1919 serviu como base de apoio para a expansão do movimento proletário e revolucionário em todo o mundo, assim, nos próximos anos a Rússia e demais países que faziam parte do antigo império czarista uniram-se formando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Entre os anos de 1919 e 1922 estouraram revoluções na Hungria, Polônia, Alemanha e Mongólia, esta última bem sucedida, tornando-se a segunda república popular no mundo.
No ano de 1924 o grande camarada Lenin morreu, porém, seu pensamento continuou vivo e as metas estabelecidas por Lenin foram continuadas e até superadas sob a liderança de outros bolcheviques como Kalinin, Zhdanov e Stalin.
Nas décadas seguintes a URSS seria exemplo para revolucionários de todo o mundo, partidos e organizações revolucionárias seriam formadas em países opressores e oprimidos, revoluções estourariam na Bulgária, Indonésia, China, Brasil, Espanha, Lituânia, Letônia, Estônia, Indochina, Malásia, Filipinas, Birmânia, Grécia, Albânia, Itália, Bélgica, França, Iugoslávia, Coréia, Romênia, Paraguai... Tudo isto em um período que vai desde 1924 até 1959, sendo que a maioria dos levantes revolucionários ocorreu entre meados dos anos 30 até o final dos anos 40.
Entre os anos de 1917 a 1956, a União Soviética mostrou-se fortaleza do socialismo e da revolução proletária, esta fortaleza infelizmente acabou desmantelada devido a certos problemas ideológicos, gerando certa confusão entre os membros do Comitê Central após a morte de Kalinin, Zhdanov e Stalin. Essa confusão ideológica abriu a guarda para que elementos mal-intencionados pudessem tomar o poder e tentar desmantelar o movimento revolucionário desde cima até em baixo, influenciando partidos em todo o mundo. Ainda assim, outros partidos resistiram e puderam dar novos ares para o movimento revolucionário, após a ruptura partidária entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da União Soviética.
Com a realização dos XXº Congresso do PCUS em 1956 onde Kruschov apresenta um documento contendo mentiras a respeito da figura de Stalin, seguido da demissão da cúpula revolucionária do PCUS (entre eles Jukov, Kaganovich entre outros), e a reabilitação de antigos inimigos do socialismo que se encontravam dentro e fora do PCUS.
Utilizando da influência e do prestígio que a URSS ainda dispunha, Kruschov e seu bando fizeram de tudo para influenciar outros partidos a assumirem uma linha revisionista baseada na difamação da figura de Stalin e seus defensores e nas teses revisionistas de “Estado e partido povo”,  “transição pacífica, coexistência pacífica e competição pacífica”. Esta tese ficou conhecida como “dois todos e três pacíficas”, uma estúpida tentativa de barrar o avanço da revolução proletária mundial.
É a partir dos primeiros anos da década de 1960 que a China surge como novo baluarte da revolução proletária mundial. Junto com o Partido do Trabalho da Albânia rompem com o pacifismo e submissão aos interesses da União Soviética que naquela altura havia se convertido em potência social-imperialista.
Até meados dos anos 60, o Partido Comunista da China sob o comando de Mao Tsé Tung moveu intenso debate com os comunistas soviéticos na tentativa de frear o avanço do revisionismo na União Soviética. Apesar de o avanço revisionista ter continuado, os debates onde o PCCh levantaram bem alto as bandeiras vermelhas da revolução deram coragem para que os comunistas revolucionários de todo o mundo rompessem com a linha oportunista e reorganizassem as forças revolucionárias, que de fato aconteceu nos anos seguintes, inclusive dentro dos países que haviam assumido o revisionismo como aconteceu na Polônia em 1964, onde o histórico dirigente Kazimieriz Mijal junto com outros dirigentes revolucionários remanescentes, organizaram o Partido Comunista da Polônia.

O lídero do Partido Comunista da Polônia com o presidente Mao e o camarada Kang Sheng, 1964.
A reação soviética foi imediata, acusando os comunistas chineses de “fraccionistas” e “hegemonistas”, quando na verdade os hegemonistas eram os próprios revisionistas soviéticos sob a batuta de Kruschov e Brezhenev.
Foi então a partir da década de 1960 que os comunistas de todo o mundo passaram a reconhecer Mao Tsé Tung como continuador do trabalho revolucionário desenvolvido por Marx e Engels em 1848.
A partir daquela época as teses de Mao Tsé Tung muito mais do que mostrar eficácia, mostraram seu caráter de validade universal, superando erros, lacuna e pormenores do marxismo-leninismo. Não fui uma tentativa de se contrapor ao trabalho de Marx à Stalin como falam os oportunistas, ao contrário, deu novos ares ao marxismo-leninismo, afiou a “espada da revolução”.
Porém, os camaradas menos entendidos no assunto devem estar se perguntando: que inovações são essas que o pensamento Mao Tsé Tung trouxe ao marxismo-leninismo e à revolução proletária mundial? Vários, como explicaremos a seguir.
Primeiramente, devemos compreender que o “pensamento Mao Tsé Tung” foi adotado pelo Partido Comunista da China em 1935, quando a linha esquerdista de Wang Ming foi derrotada. Esta linha pseudo-revolucionária foi defendida por Enver Hoxha quando Mao Tsé Tung morreu. O que Hoxha se esqueceu de dizer foi que Wang Ming, e seus cúmplices que se autodenominavam “bolcheviques” passaram o resto de seus dias na União Soviética de Brezhnev, soltando maldições ao socialismo chinês e à liderança de Mao Tsé Tung, Chen Bo Da, Lin Piao e Kang Sheng.
Naquela época, o pensamento de Mao Tsé Tung era a análise das contradições da sociedade chinesa e a forma de resolvê-las sob a luz do marxismo-leninismo, o que muita gente não sabe, ou melhor, o que o PCdoB, PCR, PCB e o PCML brasileiro não sabem é que a partir de então esse pensamento forjado no calor da revolução traria inovações ao marxismo-leninismo ao longo dos anos em que foi ideologia do Partido Comunista da China (1935-1976) até tornar-se a Terceira Espada do comunismo.
As concepções revolucionárias de Mao Tsé Tung foram inicialmente sintetizadas por Chen Bo Da no início da década de 50 em um livreto intitulado “Mao Tsé Tung na revolução chinesa”, depois as obras de Mao Tsé Tung foram compiladas em quatro volumes ao longo dos anos 50 e 60, chamados de “Obras Escolhidas” com o número respectivo de cada livro. Com base nestas obras, 1966 o camarada Lin Piao transcreveu trechos das obras para um livreto que ficou conhecido mundialmente como “Livro Vermelho”, onde de forma bem simples e clara mostrava as concepções revolucionárias formuladas por Mao Tsé Tung desde 1926 até 1965.

O comandante Lin Piao.
Tanto o camarada Lin Piao como o camarada Chen Bo Da foram difamados pelos revisionistas que tentavam dominar o partido durante a ofensiva da Revolução Cultural Proletária. Tendo estes revisionistas semeado confusão através de intrigas dentro do Partido Comunista, não tardou muito para que inclusive grandes dirigentes revolucionários acabassem iludidos pelas intrigas que visavam de toda a forma derrotar a ditadura do proletariado na China.
Exército Popular de Libertação em 1949.
Mao Tsé Tung foi um dos primeiros a defender a concepção revolucionária de que “o partido manda no fuzil e jamais deve ser o contrário”. Junto a esta concepção está a idea de que “o poder político surge a partir do cano de um fuzil”. Tomando estas duas concepções revolucionárias, elas dão mais força a duas concepções de Lenin:
- a de que o partido comunista é a organização máxima do proletariado
-que só os cretinos acreditam na tomada do poder pelo proletariado através das urnas
Entenda-se que as concepções de Mao não um plágio das concepções de Lenin, porém, são o desenvolvimento, fruto da aplicação do marxismo-leninismo.
Compreendendo a função do exército do proletariado e a função de vanguarda do partido comunista, Mao Tsé Tung no calor da batalha também desenvolveu o modo como a tomada do poder deveria ser feita, como seria a guerra popular.
Assim  Mao Tsé Tung compreendeu a necessidade de uma guerra popular prolongada. Parece apenas uma simples questão de estratégia, porém, serviu para mostrar o caminho a ser seguido para a tomada do poder tendo o proletariado como classe vanguarda. Tornou-se totalmente claro que a revolução proletária não precisaria depender de algum golpe de estado, nem ser empreendida por tropas rebeladas do exército burguês. O povo junto ao Partido Comunista poderia organizar seu próprio braço armado.
Como o próprio nome sugere, a idea de Mao era uma guerra popular de caráter prolongado, onde partia-se para ações mais simples, como a guerra de guerrilhas até chegar o momento de uma guerra regular de movimentos. Para a China dos anos 30 e a nos países dominados da época e da atualidade, a guerra popular consistia em ações a partir das zonas rurais até atingir primeiramente cidades pequenas, mais tarde as médias e por último as grandes cidades.
A sobrevivência do exército guerrilheiro popular depende do apoio das massas, ou seja, Mao também ensinou que “a guerra popular é uma guerra de massas”, ou seja, a vitória só poderia ser obtida contasse com o apoio de amplas massas. Para isso, Mao Tsé Tung também enfatizou sobre a questão de criar um exército culto, quer dizer, soldados e camaradas que tivessem cultura, que aprendessem a ler, escrever, que falassem de modo educado, que fossem respeitosos e que servissem as massas incondicionalmente.
Muito mais que tratar educadamente o povo, deveriam ter um apoio forte, para isso foram criadas bases de apoio, quer dizer, zonas libertadas, administradas pelo proletariado junto ao partido comunista, criando assim um poder popular paralelo ao poder do governo opressor.
Guerrilheiros do EGPL, Índia.
A concepção revolucionária da guerra popular prolongada logo mostrou a sua capacidade e sua universalidade em diversos países desde os anos 30 até a presente década do século XXI. Esta linha teve maior força durante a segunda guerra mundial, quando os partidos comunistas do Vietnã, Birmânia, Filipinas, Indonésia e da Malásia colocaram em prática esta concepção revolucionária, obtendo êxito especialmente na Malásia (onde além dos comunistas malaios terem expulsado os japoneses, também comprometeram seriamente o domínio britânico), a mesma coisa também ocorreu na Indonésia aonde chegaram a criar um governo de coalizão com os nacionalistas, e no Vietnã a região norte foi completamente libertada em 1954. A linha revolucionária da guerra popular prolongada continua a influenciar os revolucionários de todo o mundo, tomando os exemplos da guerra popular na Índia, Filipinas, Peru e Turquia.

Tropas do Exército Popular Anti-Japonês da Malásia.
Há certo engano quando dizem que a guerra popular prolongada inicia-se apenas em zonas rurais para poder chegar às cidades. O caráter principal é o tempo de duração da guerra, não importando exatamente (isso vai depender de cada país onde esta brilhante estratégia for aplicada) aonde deve começar. Temos dois grandes exemplos de guerras populares que iniciaram em zonas urbanas, citamos a ação das Brigadas Vermelhas na Itália, e a ação da Fração do Exército Vermelho na Alemanha Ocidental, ambos os grupos estavam sob a luz do maoísmo (pensamento Mao Tsé Tung na época).

Poster das Brigadas Vermelhas
Depende do partido comunista de cada país formular uma linha correta para desferir a guerra popular.
 As leis da contradição também foram outra grande contribuição dada por Mao Tsé Tung ao movimento revolucionário, especialmente com a publicação “sobre a contradição”, de 1937.
Enfatizando sobre a necessidade da prática acompanhada com a teoria, Mao desenvolveu outra concepção: o método de prática->teoria->prática, ou seja, a partir da prática pode-se compreender os erros, e avanços, sintetizando-os, gerando uma teoria que deve ser posta em prática a fim de continuar o seu desenvolvimento.
Sobre a questão da contradição, devemos entender segundo Mao que um todo abriga em si dois contras, quer dizer, nesse momento de união existe uma contradição não-antagônica. Quando esses contras começam a lutar entre si, essa contradição se torna uma contradição antagônica e por isso se dividem, ao contrário da tese social-democrata que apenas a união deveria prevalecer. Essa é a regra que rege todo o universo, inclusive a dialética materialista, onde uma unidade abriga dois contras que quando desenvolvem o antagonismo, dividem-se, assim sucessivamente.
Compreendendo  a unidade e luta de contrários, Mao também compreendeu a forma de resolvê-los, tendo cada tipo de contradição um meio apropriado para ser resolvido.
Em uma contradição não-antagônica, como por exemplo, divergências de certas opiniões dentro do partido ou do movimento não podem ser resolvidas meramente com expulsão ou eliminação física dos divergentes, como sendo não antagônica, essa contradição deve ser resolvida com método brando, que é através do debate e da prática.
Agora, se um grupo divergente tenta sabotar o movimento revolucionário, a liderança e as bases, desrespeitando as normas de conduta, então, essa contradição passa a ser antagônica, não havendo mais condições de continuarem unidos, estes contras se separam.
A “luta entre duas linhas” também foi outra descoberta importante, já que esta representa uma contradição inicialmente não-antagônica que aparece no seio do partido e do movimento revolucionário. Essa contradição, ou melhor, essa luta entre linhas em seu caráter não-antagônico pode e deve ser resolvida através do debate e da prática. Quando assume um caráter antagônico, esse tipo de contradição só pode ser resolvido de forma radical: com a expulsão e devida punição aos quadros indisciplinados. A idea da luta entre duas linhas, reforça ideologicamente as forças revolucionárias e destrói a tese errônea da organização de caráter “monolítico”, já que, uma vez expulsos os dissidentes, outros surgirão até a organização acabar enfraquecida. Hoxha foi um dos maiores propagadores dessa idea errada, aconteceu que logo após a sua morte, o Partido do Trabalho da Albânia acabou desmantelado pelos próprios membros.
Na questão política a unidade e luta de contrários se estende até a chegada do comunismo, portanto contradições antagônicas e não-antagônicas continuarão a existir enquanto existir a luta de classes, que também é uma contradição.
A linha de massas foi outro aporte de grandiosa importância desenvolvido por Mao Tsé Tung à frente do Partido Comunista. A linha de massas se baseia no apoio total às grandes massas de trabalhadores, pois são as massas que podem realizar grandes feitos, são os donos do mundo. Baseando-se nas aspirações e anseios das grandes massas de trabalhadores, o partido comunista deve buscar compreender esses desejos, sintetizá-los e devolvê-los ao povo como forma de diretrizes. Resumindo em uma bela frase do próprio Mao Tsé Tung: COM A LINHA CORRETA TEMOS AS PESSOAS E OS FUZIS.
Com base na correta linha de massas, foi possível o desenvolvimento econômico e cultural da República Popular da China nos anos 50, como durante o Grande Salto à Diante e o Movimento das Cem Flores, que será explicado a seguir.
A necessidade do máximo desenvolvimento da economia socialista é fundamental e foi reiterado por Lenin. O presidente Mao e o Partido Comunista apoiados pela poderosa força das massas iniciou na segunda metade dos anos 50 uma poderosa linha de desenvolvimento do socialismo, investindo pesado na indústria e incentivando a criação de comunas populares, ou melhor, grandes fazendas coletivas e autônomas.
Entre os anos de 1956 a 1960, houve um grande salto na indústria e na agricultura, diferente das mentiras propagadas pelos inimigos do marxismo-leninismo-maoísmo. Para se ter uma idea, a partir de 1956 iniciou-se a produção de automóveis e motocicletas com base em protótipos desenvolvidos entre os anos de 1950 e 1953. Em 1958 a China além de iniciar a primeira transmissão de televisão também iniciou a produção dos próprios aparelhos. Maquinaria suíça foi comprada para a produção de relógios, além da produção agrícola ter batido recordes a cada ano. Nos anos seguintes também foram produzidos tratores, toneladas e mais toneladas de aço, máquinas de lavar roupas, geladeiras “Snow Flake”, turbinas de hidrelétrica, prensa hidráulica, e até computadores. Assim, o Partido Comunista sob a luz do pensamento Mao Tsé Tung foi capaz de transformar um país que até pouco tempo atrás era semifeudal em potência e baluarte da revolução proletária mundial até 1976.
Porém, a burguesia continuava infiltrada dentro do Partido Comunista, sendo respaldada pelos revisionistas soviéticos e seus capangas. Agindo com total cinismo, gente como Deng Xiaoping, Kao Kang, e Liu Shao Qi auxiliaram na sabotagem do Grande Salto à Diante, como por exemplo, na falsificação dos resultados obtidos durante as colheitas, provocando assim uma grave crise na distribuição de alimentos. A União Soviética pouco fez, enviou quantidade insuficiente de alimentos, obrigando a China a importar milho da Austrália e Nova Zelândia em 1960.
A sabotagem revisionista não parou por aí, tentaram corromper funcionários públicos, visando impor um modelo de administração burguesa, tanto nas fábricas, como nas fazendas e nas escolas, tudo isso respaldaria uma restauração capitalista que estava para ocorrer em meados dos anos 60.
Esta restauração capitalista a cada dia estava dia após dia corroendo as estruturas do socialismo e da Nova Democracia, visava aproximar-se de Kruschov e Brezhnev, transformando assim a ditadura do proletariado em uma ditadura da burguesia nacional, que consequentemente conduziria a uma restauração capitalista ainda na década de 60. Vários  quadros destacados do Partido Comunista (principalmente os que ocupavam postos dirigentes) estavam se corrompendo ou já haviam sido corrompidos pelo revisionismo de Liu Shao Qi, que na época era presidente da República Popular da China.
Um pouco antes, mais exatamente durante os debates que se seguiram entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da União Soviética no início dos anos 60, Mao Tsé Tung compreendeu os erros e os avanços do socialismo na União Soviética durante o período de Lênin e Stalin até a derrocada socialista iniciada por Nikita Kruschov e seus seguidores.
Assim, ele compreendeu que não bastaria destruir a burguesia apenas no domínio econômico, porque a burguesia tem a capacidade de se camuflar em outro sistema além de contar com um apoio internacional, que é o capital estrangeiro. Portanto, a burguesia fora do poder poderia subsistir como pensamento, costumes, ideas, portanto, as influências burguesias e feudais deveriam ser desmascaradas e aniquiladas.
No final de 1965, motins de estudantes e operários contra dirigentes burocratas começaram a ganhar força, mostrando mais uma vez a força e a sabedoria das massas, em reconhecer seus verdadeiros líderes e desmascarar os impostores. Esse ato revolucionário dos estudantes teve apoio dos revolucionários do Partido Comunista, incluindo o próprio presidente Mao, que no ano seguinte, lançaria a Grande Revolução Cultural Proletária.
Em 1966, foi publicada uma carta de 16 pontos onde Mao Tsé Tung e o Partido Comunista lançavam as diretrizes da Revolução Cultural, que adiaria a restauração capitalista em 10 anos, mostraria ao mundo todo a universalidade do “pensamento Mao Tsé Tung” e fortaleceria a China como baluarte da revolução proletária mundial.

Multidão de jovens, proletários e guardas vermelhos em 1966.
Assim, Mao Tsé Tung confiando na capacidade revolucionária da juventude e do proletariado dirigiu a ofensiva revolucionária contra as influências burguesas. Camponeses, operários, intelectuais, muita gente, especialmente os jovens aderiram às milícias populares, que ficariam conhecidos mundialmente como “Guardas Vermelhos”, defensores do pensamento revolucionário de Mao Tsé Tung.
Quando a delegação militar albanesa estava na China, Mao Tsé Tung perguntou aos camaradas albaneses se eles sabiam qual era o propósito da revolução cultural proletária. Eles responderam que o propósito da revolução cultural era desmascarar os corruptos.
Porém, o grande timoneiro explicou que o propósito ia mais além, a Revolução Cultural serviria para destruir toda a influência burguesa, que se camuflava na ideologia, e nos costumes entre o povo.
Como o nome já sugere, a Revolução Cultural se tratava de uma REVOLUÇÃO, ou seja, ali se travava uma dura luta de classes, onde não tardou muito para que dirigentes burgueses também criassem seus próprios “guardas”, alguns inclusive anti-maoístas, que logo foram atirados no lixo da história.
Essa Grande Revolução Cultural Proletária atingiria de modo positivo todo o sistema socialista da China, começando desde baixo até os altos escalões. Vários dirigentes burgueses foram rechaçados pelo povo, e condenados pelos seus atos contra o povo e contra o socialismo, como Deng Xiaoping e Liu Shao Qi.
A história burguesa em coro com os revisionistas pós-76 tratam de dizer que a revolução cultural estagnou a economia da China, quando na verdade houve apenas uma leve queda entre 1966 e 1968, aumentando a partir de 1969 até 1979, quando a economia teve um retrocesso por causa da restauração capitalista.
É importante ressaltar que durante o período da revolução cultural a China lançou seu primeiro satélite artificial (1970), produziu a primeira TV em cores (1970), bomba de hidrogênio (1973), o arroz híbrido que aumentaria a produção em até 30% (1974). Ainda no ano de 1974, quase 100% (para ser mais exato, 98,5%) da produção total do país vinha do setor socializado, portanto, a República Popular da China avançava no socialismo.
Nessa época, vários partidos comunistas do mundo todo passaram a levantar bem alto a bandeira do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsé Tung, levando o proletariado a obter importantes vitórias sob essa linha revolucionária, como em Moçambique, Kampuchea Democrática e na Colômbia, onde o PCML -C estava construindo a República Popular da Colômbia, superando os pseudo revolucionários do M-19, ELN e FARC.
Apesar do socialismo chinês e a Revolução Cultural Proletária terem sido derrotados após a morte de Mao, esse tempo serviu para adquirir experiência na revolução cultural, serviu para aprender os métodos corretos, para aprender o que deve e o que não deve ser feito.
Nos anos seguintes à morte do Presidente Mao, Enver Hoxha, que outrora havia sido um importante aliado da revolução proletária mundial passou a tecer críticas no mínimo estúpidas contra Mao Tsé Tung, e ao contrário de comandar uma onda da revolução proletária, os partido comunistas que aderiram ao marxismo livresco de Enver Hoxha passaram a capitular, como o próprio PCML da Colômbia, que em 1984 iniciaria o processo em depor as armas.
Os partidos comunistas que seguiram apoiando Deng Xiaoping teriam o mesmo fim, passariam a capitular ao longo da década de 80, como o Partido Comunista da Tailândia, Malásia e Myanmar.
Algumas organizações proletárias e revolucionárias continuaram com a guerra popular sob a luz do pensamento Mao Tsé Tung, como TKP-ML, o PC das Filipinas e o PCML da Índia, porém, o final dos anos 70 abriria uma nova era para a revolução proletária mundial, que ficaria muito mais claro na década seguinte.

Guerrilheiros peruanos do Ejercito Guerrillero Popular em 2011.

Guerrilheiros do Partido Comunista da Turquia (ML).
Em 1980 o Partido Comunista do Peru, sob o comando do presidente Gonzalo iniciou a guerra popular, a primeira guerra popular prolongada iniciada depois da morte do presidente Mao. Indo totalmente contra a ofensiva revisionista que os hoxhaístas lançavam, o PCP junto com outros partidos comunistas lutaram pela imposição do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsé Tung no movimento revolucionário. Dois anos depois, o PCP lançaria a consiga marxismo-leninismo-maoísmo, lutaria pela adoção do maoísmo como terceira e superior etapa do marxismo-leninismo principalmente quando  surgiu o Movimento Revolucionário Internacionalista, organização revolucionária e internacionalista que reúne vários partidos comunistas revolucionários desde 1984.

Prisioneiras de guerra homenageando o presidente Gonzalo e o verdadeiro PCP.
O depois do Partido Comunista da China, o Partido Comunista do Peru foi o partido que mais se destacou em desenvolver e divulgar a linha revolucionária do presidente Mao.
Os aportes do presidente Mao Tsé Tung não se encaixam mais ao termo “pensamento Mao Tsé Tung”, porque o pensamento é o resultado da análise e compreensão das condições de determinado país sob a luz do marxismo-leninismo. Atualmente o os aportes de Mao Tsé Tung são a nossa linha guia, que serve de base para criarmos um pensamento revolucionário.
Portanto, o marxismo-leninismo-maoísmo desde muito tempo vem mostrando a sua universalidade, as descobertas e desenvolvimentos do presidente Mao servem como linha guia para que partidos e organizações revolucionárias de todo mundo possam resolver suas contradições, seja a contradição interna, contradição externa, ou ambas.

Devemos nos sentir orgulhosos, porque a nossa linha guia foi fortalecida por Mao Tsé Tung, depende agora de cada organização revolucionária buscar resolver a contradição sob a luz do marxismo-leninismo-maoísmo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Operação Condor está de volta!


Dilma e seu brinde ao imperialismo.

Não espanta o fato de a reação mundial cooperar com o imperialismo para a destruição das forças populares e progressistas em todo o mundo. Esta é uma lição que aprendemos antes mesmo da revolução bolchevique, ainda nos tempos da comuna de Paris, em 1871.

Recentemente o governo brasileiro anunciou que iria apoiar a luta contra o “sendero luminoso” junto com os governos fascistas da Bolívia, Peru e Equador.  Indo a reboque destes governos podres encontra-se forças políticas mais podres ainda, não só neoliberais e fascistas, mas também os revisionistas, os mesmos cretinos que dizem ser “comunistas” e de “esquerda” quando na verdade não passam de agentes do imperialismo.

Não bastasse a política de opressão contra o nosso povo e o povo do Haiti, agora o governo brasileiro quer oprimir o povo peruano, com uma nova versão da “Operação Condor”, que foi uma operação conjunta com outros governos fascista da América Latina contra a ação dos progressistas nos anos 60 e 70.

A derrota do imperialismo e seus lacaios consiste unicamente na ofensiva revolucionária popular.
Portanto, trata-se de uma operação extremamente reacionária mobilizada pelos governos considerados “progressistas” apoiados pelos cretinos do PCdoB, PCP-Patria Roja, MAS, e etc.

Segundo um pequeno artigo publicado no site da UOL em novembro deste ano, os governos do Peru, Brasil, Equador e Bolívia estão se mobilizando contra o Movadef (Movimento pela Anistia e Direitos). O Movadef nada mais é do que uma organização que representa a linha oportunista de direita que apareceu após a prisão do Presidente Gonzalo.  Porém, sabe-se que as operações visam golpear não só o Movadef, senão a militância do PCP e exilados políticos como aconteceu ano passado, quando o governo social-fascista de Evo Morales prendeu e deportou exilados políticos peruanos, acusados de “atividades subversivas”.

Desde o Brasil expressamos nossa profunda admiração ao Partido Comunista do Peru, e à poderosa guerra popular que se desenvolve no Peru desde 1980, expressamos nossa admiração aos guerrilheiros do EGP e ao heróico proletariado do Peru. Sem dúvida alguma buscamos aprender a partir dos ensinamentos do Presidente Gonzalo e também com os reveses e avanços decorrentes destes 32 anos de guerra popular prolongada no Peru. Todos os comunistas maoístas e não-oportunistas do Brasil repudiam qualquer ação reacionária contra o povo peruano organizado sob a luz do PCP e do marxismo-leninismo-maoísmo pensamento Gonzalo.


Compreendemos que um post em um blog não é o bastante, nem mesmo palavras de ordem são suficientes para que possamos deter a conta-revolução. Lembrando as sábias palavras de Gonzalo, buscamos desenvolver o partido comunista militarizado sob a luz do maoísmo para servir de apoio à revolução proletária mundial.

VIVA A GUERRA POPULAR NO PERU!

VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO E OS ENSINAMENTOS DO PRESIDENTE GONZALO!

REPUDIAMOS ESSA NOVA VERSÃO DA OPERAÇÃO CONDOR!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

E a culpa é do povo?



Quase todos os dias, senão todos, os agentes do governo burocrata-burguês descarregam todo o tipo de ofensas e intrigas contra as massas. Tudo isso faz parte de uma jogada onde esta corja de agentes tentam culpar as massas por todos os problemas da sociedade. Estes mentirosos se fazem de coitados, mas são os grandes inimigos do nosso povo.

Esta corja de agentes do sistema é formada por todo o tipo de ratazanas: militares, empresários, políticos, repórteres mercenários, funcionários públicos, sindicalistas e pseudo intelectuais. Geralmente esse tipo de gente ocupa altos cargos e são os verdadeiros causadores dos problemas que afligem todo o povo. Afinal, o lixo acumulado que causa enchentes, pestes e doenças poderia ser resolvido se eles tivessem o mínimo de decência em colocar mais lixeiras (não apenas nos centros ), e deveriam oferecer um serviço de coleta de lixo decente sem precisar pagar por isso.

Aonde encontrá-los exatamente? Muito simples, ligando a televisão, lendo jornais, revistas, ou indo em diversas igrejas e congregações (católicas, protestantes, pentecostais, etc).

Percebe-se que essa corja tenta desmoralizar as massas de todas as maneiras, trata o “povão” como um rebanho de gado, na televisão satirizam a pobreza e todos os problemas que as pessoas passam. Os escândalos de corrupção as vezes ganham destaque na mídia, a maior parte não ganha destaque porque a corrupção é típica do sistema capitalista, se a grande mídia desse maior cobertura em todos os escândalos seria o mesmo que decretar o fim do capitalismo, e até do imperialismo, porém, quando ganha destaque, como é o atual caso do “mensalão”, aparecem diversos estúpidos dizendo que a culpa é do “povo” que elege políticos de péssima índole, quando em geral todos são. 

A mídia burguesa também possui outra artimanha: quando não escondem os protestos eles tratam de difamar os manifestantes como “desordeiros”, “radicais”, com o poder da mídia e o poder da lei injusta o vilão vira herói e o herói se torna vilão. Acontece com qualquer um que se reivindica seus direitos, índios, camponeses, operários, estudantes, sem-teto, sem-terras, lumpens, todos se tornam marginalizados pela elite minoria que usurpa o poder e os meios de comunicação.

Liga dos Camponeses Pobres, organização camponesa combativa, porém, a mídia burguesa diz que são "extremistas" e "narco-guerrilheiros".
Todo esse tipo de ação serve para manter o povo na situação de “rebanho de gado”, uma grande massa desprovida de raciocínio e iniciativa, é claro que esse plano apesar de ter aparente sucesso não chega a ser completo. Isso porque não existe força política não existe sistema que dure para sempre “todo sistema é transitório” já dizia Karl Marx, o povo se desperta, as vezes de forma desorganizada, porém, quando percebe a necessidade da organização, e quando agem assim, possuem a capacidade de “mover céus de montanhas”, se tornam a força mais poderosa do mundo, é como disse o camarada Che Guevara “podem destruir todas as flores mas não poderão deter a primavera”.

VIVA A FORÇA INVENCÍVEL DAS MASSAS!

JUNTOS VENCEREMOS!

VIVA A TODAS AS ORGANIZAÇÕES PROLETÁRIAS REVOLUCIONÁRIAS DO MUNDO!

VIVA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Agradecimento a todos os camaradas!


O blog Grande Dazibao agradece a todos os camaradas que desde o ano passado estiveram acompanhando o desenvolver do blog nas questões teóricas a respeito do maoísmo, do avanço da revolução proletária mundial e das lutas populares que estão ocorrendo no Brasil.

Desde esta luminosa trincheira virtual agradecemos as mais de 10 mil visualizações, e a todos os comentários, desde os críticos até os positivos. Saudamos a todos os que de alguma forma ou de outra fizeram com que este blog fosse divulgado, e visualizado por gente do mundo todo, desde os andes até o sudeste asiático.

Novamente, agradecemos a todos os que comentaram que divulgaram que estudaram e postaram no blog, contribuindo na divulgação e compreensão do marxismo-leninismo-maoísmo e dos avanços e recuos da Revolução Proletária Mundial e do Movimento Revolucionário.

Agradecemos em especial ao contato que estabelecemos com o Coletivo Bandeira Vermelha (Brasil), agradecemos o apoio dado ao blog por parte de alguns militantes do MEPR, agradecemos também aos nossos e-mails respondidos pelo jornal A Nova Democracia. Saudamos ao PCML do Panamá e os camaradas do blog espanhol Dazibao Rojo,  que divulgaram alguns dos nossos artigos.

Agradecemos também às demais sites e organizações proletárias e revolucionárias como o blog Colectivo Odio de Clase, PCP-Base Mantaro Rojo,  Partido Comunista Popular da Argentina, Partido Comunista do Equador-Sol Rojo, Partido Comunista (maoísta) do Afeganistão, Partido Comunista Marxista-Leninista-Maoísta da França, Partido Comunista da Índia (maoísta), Partido Comunista das Filipinas e o Partido Comunista Marxista-Leninista da Turquia e a Página Vermelha (Portugal). Sites e organizações que inspiram ao blog Grande Dazibao e nos inspira a ir além de um simples blog, nos inspira a reconstruir as forças populares e revolucionárias em nosso país, o Brasil, futura República Popular Democrática.

Saudamos a todo mundo que nos acompanhou e nos acompanha nesta luminosa senda, agradecemos profundamente o apoio e levantemos bem alto as Bandeiras Vermelhas do Marxismo-Leninismo-Maoísmo!


Ângelo Ricardo Cassenotte.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O massacre acabou?




Tendo sido "revogada" a decisão que expulsava os índios guarani-kaiowá de suas terras, as campanhas de solidariedade aos indígenas estancaram, dando a impressão de que tudo está correndo bem, o que não é verdade se analisarmos algumas poucas notícias das diversas que são publicadas na web mas que não recebem devida atenção, sendo talvez até tratados como “casos isolados” pela mídia burguesa.

Afinal de contas, a luta dos índios acabou, amenizou, ou continua aguda?

Pistoleiros atiram contra índios guarani-kayowá no Mato Grosso do Sul
Para responder isso com maior clareza, devemos levar em conta que desde o momento em que os colonizadores europeus (portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, e holandeses) tomaram posse de vastos territórios do continente americano, empreenderam um grande processo de saqueio, opressão e genocídio contra os povos nativos, ou melhor, os povos indígenas. Para se ter uma noção, os nativos que habitavam a ilha onde atualmente é a República Dominicana e a República do Haiti acabaram extintos.

A escravização dos índios e a destruição de seus costumes através do envio de missionários católicos (jesuítas) , e protestantes serviu e no caso do envio de missionários, continua a servir como ferramenta de destruição da identidade cultural dos indígenas em todo o continente Americano. Para perpetrar esses atos infames, tanto os colonialistas usavam como argumento “civilizar os povos bárbaros e trazer conforto espiritual”, quando na verdade traziam miséria, exploração e doenças ainda não conhecidas pelos indígenas.

Com a “independência” gradual das colônias na América, a política de segregação foi mantida pelos governos reacionários. Para se ter outra idea, até os começo dos anos 20 os índios estadunidenses não tinham cidadania reconhecida pelo governo.

Essa política genocida vem se arrastando por mais de 500 anos em todo o continente americano, os exemplos de resistência dos indígenas estão gravados na história do nosso continente, principalmente na figura de Tupac Amaru.

Tupac Amaru, líder da rebelião dos índios peruanos contra a dominação espanhola no final do século XVIII.
Na atualidade essa luta continua a se arrastar, e alguns lugares de forma um pouco mais organizada, como adesão por parte dos índios à guerrilha revisionista mexicana EZLN (Ejercito Zapatista de Liberación Nacional), ao Partido Comunista do Peru (Maoísta) e seu braço armado (Ejercito Popular de Liberación).

Combatente indígena do EPL no Peru.

Mas o que desencadeia essas lutas?

O que desencadeia isso é a luta por terras. É uma árdua luta entre indígenas e camponeses pobres contra latifundiários e grileiros respaldados pelos políticos e pela polícia desse podre regime burocrático-burguês.

 A mídia geralmente mostra os índios como sendo violentos, selvagens, extremamente supersticiosos e fechados, quando na verdade ocorre o contrário, é um povo bom, heróico, talvez até mais “civilizado” do que os chefes da TV Globo, Band, SBT ou Record. Quanto aos posseiros, sempre são mostrados como “agricultores ameaçados” ou pela “violência dos índios” ou pelos “sem-terra”. São na verdade latifundiários tiranos, coronéis em pleno século XXI, usando de influência na política para utilizarem a polícia e bandos de jagunços com a finalidade de roubar as terras dos índios. São conflitos que se estendem de norte a sul do país.

Segundo informa o jornal A Nova Democracia no artigo intitulado “Índios: latifúndio segue matando e invadindo”:
“Conforme o último relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) ocorreram 41 casos de invasões possessórias e de exploração de recursos naturais em áreas indígenas no período 2008/2009. As invasões foram cometidas por "pecuaristas, agricultores e grileiros" (boa parte fazendeiros e grandes empresários, segundo outras fontes).
Madeireiras e garimpeiros retiraram ilegalmente de terras indígenas bens lucrativos como pedras preciosas, ouro, cascalho e areia. Os casos ocorreram nos estados do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
O estado com o maior número de casos (8) foi Rondônia. O relatório do Cimi registrou invasão de terras indígenas por fazendeiros, exploração ilegal de madeira, retirada de areia e construção de obras. Sublinhou ainda que o próprio gerente de Rondônia, Ivo Cassol, ocupa 80% do território tradicional do povo Wayurú.
Mato Grosso apareceu com 7 casos (entre desmatamento, exploração ilegal de madeira, invasão por fazendeiros, poluição de rios por agrotóxicos e pesca predatória). "Isto não surpreende, visto que o Mato Grosso tem registrado os piores índices de desmatamento em consequência da expansão de monoculturas, sobretudo de soja, que requerem, além de espaço, uso intensivo de agrotóxicos", afirmou o documento do Cimi.
No período foram anotados 16 conflitos relativos aos direitos territoriais dos índios: Bahia (2), Ceará (4), Maranhão (1), Mato Grosso (1), Mato Grosso do Sul (1), Pará (1), Rondônia (5) e Santa Catarina (1).
O relatório apontou que em 9 casos a causa principal "foi a morosidade das autoridades na regularização das terras indígenas".
O documento apontou outros 37 casos de omissão e morosidade na regularização das terras. "A Funai não atende às demandas das comunidades indígenas. Há demora na demarcação e algumas vezes até paralisação do processo", disse Roberto Liebgott, vice-presidente do Cimi.
Os índios enfrentam outro problema mesmo quando a homologação oficial é realizada: a retirada dos invasores. A área Apyterewa dos parakanãs, no Pará, é um exemplo. A terra foi homologada, no entanto mais de 1.200 fazendeiros e madeireiros continuavam no local, no período 2008/2009.
Outro caso foi o da comunidade dos tupinambás, que foi expulsa de forma violenta de uma área que havia retomado, porque a Funai não cumpriu o prazo estipulado pelo Tribunal Regional Federal para finalizar o relatório de identificação das terras.
Houve, por outro lado, 7 conflitos provocados pela construção de obras, como um centro turístico e um porto no Ceará. Em Rondônia, obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da gerência Luiz Inácio, não levaram em conta os impactos aos chamados Povos Isolados (Obs: grupos indígenas ainda sem contato com os brancos), colocando em risco sua sobrevivência. Foi o caso da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, e do asfaltamento da BR-429, que liga os municípios de Presidente Médici e Costa Marques.”
Estes conflitos entre indígenas e gente ligada ao governo burocrático-burguês resultam em assassinatos contra os índios. Este parágrafo do artigo (Índios: latifúndio segue matando e invadindo) publicado no jornal A Nova Democracia dá uma clara noção das baixas e do resultado da violência nas zonas rurais:

“Segundo o relatório, 60 indígenas foram assassinados no país. Outras fontes informam que muitos deles foram por mando de latifundiários.

Desse total, 42 vítimas eram guaranis, que pertenciam ao subgrupo dos kaiowás, do Mato Grosso do Sul. As outras mortes foram cometidas no Maranhão (3), Minas Gerais (4), Alagoas (2), Pernambuco (2) e Tocantins (2).”
O governo fecha os olhos propositalmente para com os povos nativos, matando-os através das armas, ou deixando-os morrer  lentamente devido a doenças que poderiam ser facilmente tratadas. Segundo informou o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) em um relatório publicado em 2011, apontou que 126 crianças indígenas de 1 a 4 anos, a maioria da tribo xavante , morreram em decorrência de doenças “facilmente tratáveis”, tudo isso por mera negligência das autoridades do regime submisso ao imperialismo. O número de crianças mortas foi maior do que o ano anterior (2010) com 92 mortes.

A necessidade da organização para êxito das lutas

Índios Mudruku com armas capturadas das forças de repressão.
Os apelos das fundações de apoio aos índios em quase nada resolvem os problemas, que são agravados pelas invasões de terras por parte dos latifundiários e até do próprio governo.

Basta de chacinas e opressão contra os povos indígenas. A solução deste problema encontra-se apenas na resistência organizada contra os ataques perpetrados pelos agentes do velho estado. Esta resistência só pode lograr êxito se estiver organizada de forma sistemática, quer dizer, deve dispor de um braço político, um braço armado que sirva para autodefesa e uma frente que reúna elementos solidários à causa dos índios, colonos e meeiros, ameaçados pelo latifúndio e seus bandos armados (desde jagunços até tropas da Força de Segurança Nacional, verdadeiros jagunços do regime reacionário).

Temos total certeza de que um plano de metas e táticas bem definidas poderá sem dúvida alguma fazer o povo oprimido das cidades, campos e tabas*, construírem um Novo Poder, um Novo Governo que possa servi-los e não mais servir aos gringos imperialistas e aos burgueses donos do poder.

*NOTA: a palavra “taba” no dialeto tupi-guarani significa aldeia.

 ABAIXO AO LATIFÚNDIO!

ABAIXO AO ESTADO BUROCRÁTICO-BURGUÊS!

ORGANIZAR A RESISTÊNCIA INDÍGENA E CAMPONESA!