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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

História da Organização de Libertação do Afeganistão



O seguinte artigo foi publicado no site da Organização de Libertação do Afeganistão, organização popular e revolucionária forjada na luta de classes do povo afegão. Neste texto a O.L.A. compartilha sua rica experiência de lutas que começou em uma organização de jovens nos 60, transformando-se em organização revolucionária e combativa nos anos 70, e a partir de então entrou numa luta encarniçada contra fundamentalistas islâmicos, revisionistas e entreguistas a mando do social-imperialismo soviético, e atualmente seguem na luta contra o imperialismo norte-americano e os seus lacaios.

Visão geral do Movimento Revolucionário Marxista no Afeganistão e a Organização de Libertação do Afeganistão (OLA)

Os anos da “Democracia Real”

A primeira organização marxista revolucionária no Afeganistão foi fundada em 1966 sob o nome de Organização da Juventude Progressista (OJP). O “Partido Popular Democrático do Afeganistão” dirigido pela linha revisionista da Moscou foi fundado pouco tempo antes por um número de intelectuais de ligações suspeitas com uma facção da elite dominadora. (Príncipe Daoud, primo do rei Shah Zahir e primeiro ministro do Afeganistão [1953-1963] foi apelidado de “Príncipe Vermelho” por causa da sua “quedinha” pela liderança soviética pós-Stalin; Babrak Karmal, um dos pais fundadores do PDPA e líder da facção Parcham, facção do partido notória como informante de Daoud e bajuladora das ambições políticas de Daoud.)

Uma característica saliente do movimento revolucionário marxista no Afeganistão desde sua mais remota origem foi sua incansável luta contra o revisionismo e o oportunismo. Foi em um contexto anti-revisionista e anti-oportunista que o movimento revolucionário marxista foi fundado e se desenvolveu. Aqueles primeiros anos eram dominados pela polêmica ideológica entre os partidos comunistas da União Soviética e China, um em uma direção e a Revolução Cultural na China em outra. Ambos fenômenos políticos tiveram indeléveis efeitos políticos e ideológicos na OJP. Pode ser dito claramente que a OJP foi fundada como uma entidade necessária para defender e propagar o marxismo revolucionário contra o revisionismo e o colaboracionismo do PDPA guiado por Noor Mohammad Taraki e Babrak Karmal.

Os ventos de mudança estavam soprando no Afeganistão. Em 1963 Daoud teve que renunciar como primeiro ministro para abrir alas para o rei Zahir Shah proclamar uma monarquia constitucional. Uma nova constituição foi adotada e vestígios de liberdades democráticas incluindo uma pequena quantidade de liberdade de imprensa foram dados ao povo. Tomando vantagem no “degelo” do clima político, a OJP se pôs a publicar um semanário chamado Sholai Jawid [A Chama Eterna] que se concentrava em introduzir os princípios da Nova Democracia (Pensamento Mao Tsé-tung) e expunha as maquinações do PDPA e do revisionismo soviético. Sholai Jawid foi banido após 11 edições apenas, mas isto já foi o bastante para lançar as sementes do pensamento revolucionário e capturar os corações e mentes de milhares de intelectuais de vanguarda e trabalhadores conscientes.
O “degelo” no clima político foi apreciado por outros agrupamentos políticos também. Muito rapidamente encontros políticos e demonstrações começaram a atrair grande número de aderentes e gerar forte interesse em Kabul e cidades maiores. Na maioria de tais ajuntamentos e demonstrações três correntes políticas eram bem visíveis: Os Sholays (assim eram conhecidos os membros, seguidores e simpatizantes da OJP que vieram a ser conhecidos após seu jornal, Sholai Jawid), os Khaqis e Parchamis (seguidores de duas facções rivais do PDPA, em seguida seus respectivos jornais: Khalq [O Povo] e Parcham [A Bandeira], e os Ikhwanis (islamitas e fundamentalistas islâmicos, depois renomeados Juventude Muçulmana, seguido do nome de seu protótipo no Egito – Ikhwan Al-Muslimeen [Irmandade Muçulmana]). Do ponto de vista de força numérica, os agrupamentos e demonstrações eram organizadas pelos Sholays logo em menor número os Khalqis e Parchamis e completamente reduzidos os Ikhwanis poderiam atuar apesar do seu chamado para a religiosidade e a propensão religiosa da população em geral.

Os Ikhwanis inicialmente não foram levados seriamente pelos círculos políticos por causa de seu número inferior e a pobre atração pelos intelectuais. Os Ikhwanis fizeram subir sua inferioridade pela violência, que primeiramente foi manifestada por eles através de uma onda de espirros de acido na cara de jovens estudantes universitárias e alunas do ginásio. (Isto eram motivado pela misoginia fundamentalista islâmica que abomina a aparição da mulher na sociedade e considera a vida encarcerada das mulheres na casa ou em haréns como auge da piedade islâmica.) Esta violência Ikhwani cresceu em saltos e pulos tão rápido ao ponto de tornarem-se assassinos sangrentos de intelectuais secularistas. Um número de assassinatos foram claramente cometidos pelos Ikhwanis em Herat e Laghman e muitos casos acobertados dos assassinos Ikhwanis vieram a luz em Kabul e em outras cidades. O clímax para o movimento revolucionário marxista veio em junho de 1972 quando os Sholays e Ikhwanis entraram em conflito no campus da Universidade de Kabul, um viveiro de lutas políticas, ideológicas e debates. Em sua verdadeira natureza, os Ikhwanis começaram a se armar com facas e pistolas. A situação no fatídico dia logo saiu de controle e Saydal Sokhandan, um proeminente ativista e firme orador da LJP foi assassinado pessoalmente por Golbuddin Hekmatyar que depois ganhou notoriedade como líder do mais fanático grupo fundamentalista islâmico, o Hizb-i-Islami [Partido Islâmico]. Foi o tal Hizb-i-Islami que teve a maior parte da “generosidade” da CIA durante os anos da Guerra de Resistência contra a agressão e ocupação soviética; como todos os grupos fundamentalistas afegãos  o Hizb-i-Islami era norteado pela CIA com armas e dólares, até tornar-se um pequeno chacal que se tornou uma sangrenta hiena, festejando nas entranhas do povo do Afeganistão. Este único fato isolado é o suficiente para expor os uivos hipócritas do imperialismo ocidental contra o fundamentalismo islâmico. Muitos outros Sholay  foram feridos, alguns deles seriamente. Este rápido conflito polarizou a linha geral da atmosfera política e gerou intenso debate entre a OJP, forçando uma introspecção e suas políticas e abordagens.

O prevalecente criticismo entre os Sholayis era que apesar do fato de que a corrente política Sholai Jawid  havia acumulado um longo e dedicado número de milhares de jovens afegãos, a liderança da OJP foi incapaz de aproveitar o potencial destes aderentes para a mobilização política das massas camponesas que compunham 90% do povo do Afeganistão. O alcance dos líderes da OJP raramente se estendeu além da intelectualidade urbana, citadinos e um limitado número de trabalhadores urbanos. Isto se deu em conseqüência da introspecção no começo dos anos 70 diferentes círculos dentro da corrente política do Shola Jawid começaram a destacar os erros da OJP e abriram uma extensiva luta ideológica em todos os níveis da organização. O mais profundo criticismo na OJP veio do Grupo Revolucionário Popular do Afegenistão (mais tarde renomeado para Sazman-i Rehayi Afghanistan [Organização de Libertação do Afeganistão]. A totalidade de tais críticas resultarou na dissolução da OJP em um número de pequenos grupos revolucionários geralmente aderindo - com diferentes níveis de discordância- ao Marxismo-Leninismo Pensamento Mao Tsé-tung.

Os anos Daoud


Em julho de 1973, Daoud o “Príncipe Vermelho”, apoiado pela facção Parcham  do PDPA, realizou um golpe de estado sem derramamento de sangue que depôs seu primo rei Zahir Shah e proclamou a república no Afeganistão na qual ele mesmo era o presidente. Os comparsas Parcham de Daoud foram nomeados para postos-chave no governo, mas os Parchamis e seus mestres russos haviam subestimado seu teimoso “boi cabeça-oca”. Após um ano de má conduta e má administração Parchami em todos os níveis e o seu cumprimento de uma agenda oculta ditada por Moscou, Daoud removeu todos titulares-chave Parchamis na sua administração. Isto obrigou Moscou a concentrar as forças armadas para o cumprimento de motivos ulteriores. Durante os 5 anos do regime do presidente Daoud (1973-1978) o movimento revolucionário permaneceu em uma fase de estagnação.Isso era devido a desunião em entre os antigos membros e seguidores da desmantelada OJP. O Grupo Revolucionário do Povo do Afeganistão (precursor da OLA) emergiu como um dos poucos bem organizados grupos revolucionários tendo uma clara agenda. Se estabeleceu fortemente (com percepção tardia talvez sobrecarga) na necessidade de aumentar em profundidade o trabalho com o campesinato e a maioria de seus quadros e ativistas deslocarem suas atividades para o cenário rural.

Durante este período as duas facções rivais do PDPA (a facção Khalq liderada por Noor Mohammad Taraki e a Parcham liderada por Babrak Karmal) que haviam rompido alguns anos atrás em razão de um choque de personalidade entre Taraki e Karmal foram reunidas em 1977 sob estritas ordens de Moscou. Isto estava na preparação para a implementação de planos estratégicos eclodidos no Kremlin para “política avançada”, uma versão russa colonialismo britânico do século XIX. Daoud tinha entrementes ficado desiludido com seus patrocinadores do Kremlin e se voltou para o ocidente para pedir ajuda em seus ambiciosos planos de desenvolvimento. Ele “remendou cercas” com o Paquistão (uma longa disputa com o Paquistão sobre o “Pashtunistão” era a desavença favorita na política externa de Daoud) e visitou o Irã e a Arábia Saudita para solicitar assistência financeira. A reviravolta de Daoud foi muito abrupta e muito alarmante para os estrategistas do Kremlin permitir algum atraso em uma rápida contra-ação. (A lembraças de Anwar Sadat e Mohmmad Siyad Barre que chutaram os russos do Egito e da Somália a poucos anos atrás ainda continuavam muito frescas e muito dolorosas). Em abril de 1978 a KGB planejou o assassinato de Mir Akbar Khyber uma figura chave Parcham e houve um ato massivo unificado mostrando a força e o desafio em seu funeral. Isto foi orquestrado com o objetivo de provocar Daoud para uma medida enérgica no PDPA.O arrogante Daoud caiu em uma armadilha e desencadeou uma reação armada liderada pelos espiões da KGB em unidades chave do exército e da força aérea. A “Gloriosa Revolução Saur” estava pronta. O que seguiu no sangrento golpe de estado de 28 de abril de 1978, resultando no massacre de Daoud e toda a sua família juntamente com 7000 militares e civis e a chegada ao poder do PDPA com Noor Mohammad Taraki como presidente e primeiro ministro e Brabak Karmal como seu deputado. Nesta conjuntura na época os grupos revolucionários afegãos não eram força política reconhecida, mas a correção da sua avaliação da União Soviética como potência social-imperialista e o PDPA como um agente de alta traição e espião do social-imperialismo e os Sholayis muitas vezes repetiram tentando trazer para a casa a necessidade para avançar na luta contra o mestre e o lacaio e não falhar para registrar em suas mentes e consciência e se sentirem patriotas.

Os anos “Saur”

Nem o povo do Afeganistão nem os grupos revolucionários ficaram pesarosos ao ver a queda de Daoud, mas isto não impediu todos os grupos marxistas revolucionários – os herdeiros políticos da OJP – rapidamente, inequivocamente e por unanimidade condenaram o sangrento golpe de estado e chamaram todo o povo para se unir para salvar a pátria do fato que a esperava nas mãos dos vendidos aqui traidores do PDPA e seus mestres russos. Esta rápida e clara responsabilidade estava baseada no fato de que nenhum marxista individual ou agrupado tinha a menor dúvida que os nativos Khalqi e Parchami, lacaios do revisionismo soviético tinham alguma função ou missão senão a de vender seu país para a União Soviética sob a forma do apregoado “caminho não-capitalista de desenvolvimento” e resguardar a todo o custo os interesses dos soviéticos no Afeganistão.
Imediatamente após a “vitória da Revolução de Saur” um reinado de pesadelo e terror foi solto em toda a população em geral e na intelectualidade dissidente em particular. Arbitrariedades individuais e prisões em massa, horrendas torturas de suspeitos e execuções em massa de todos os elementos presos como “contra-revolucionários” sob a menor pretexto dos histéricos e obcecados funcionários comissionados por uma paranóia frenética do círculo social dos agentes da KGB no topo do estado e do governo, tornou-se comum e rotineiro. Nenhum foi poupado. Para os ambiciosos Khalqi (eles logo caíram fora com os Parchamis e, ganhando vantagem, voltaram aos antigos companheiros de armas; sob a tutela de Alexandr Puzanov, embaixador soviético, Babrak Karmal e seu séquito chave de Parchamis foram banidos amplamente, mas um número deles foram aplaudidos na prisão) toda e qualquer pessoa que proferisse alguma palavra contra a União Soviética e a “Revolução Saur” eram traidores e contra-revolucionários e todos os contra-revolucionários ou eram “Sholayis” (se eles eram educados e secularizados) ou “Ikhwanis” (se fosse analfabetos, grosseiros, ou religiosos). Entre essas duas categorias, o mais duro e cruel tratamento era voltado aos “Sholayis” por eles eram “inimigos conscientes” com motivações políticas premeditadas para o antagonismo e a hostilidade contra “os avanços da Gloriosa Revolução Saur” fora dos rudes fanáticos religiosos. Não em palavras mas em ações que o regime atacou a religiosidade das massas, má interpretação do ABC do materialismo dialético e da sociologia marxista. Tudo isto foi perpetrado em nome da “revolução democrática”, tendo a “democracia popular como o primeiro degrau para o “socialismo” e “revogação da exploração do homem pelo homem”. Todos os conceitos que foram aprovados e eram veneráveis aos trabalhadores, classes exploradas e demais massas trabalhadoras foram profanados e desprezados, o terror sumário, traição e “vilanismo vermelho”. Irreparáveis danos foram feitos em nome da “revolução” para a imagem dos verdadeiros intelectuais revolucionários, operários e os conceitos revolucionários.
Galvanizados pela atmosfera universal de terror, desânimo, tragédia e conscientes de coisas muito piores e muitos mais sérias no porvir, os grupos de revolucionários marxistas começaram a se atraírem novamente e em alguns casos alcançaram alguns degraus na unificação, mas sob as presentes circunstâncias como a unificação, tiveram poucos resultados práticos. Contudo, cada grupo revolucionário, estimulado pelas implacáveis circunstâncias se tornaram mais organizados e envolvidos nas organizações marxistas que eram – cada uma em seu próprio e de acordo com seus meios e capacidades disponíveis – engajadas em fortalecer e expandir a luta patriótica. Em 5 de agosto de 1979, o Grupo Revolucionário do Povo do Afeganistão (precursor da OLA) colaborando em uma frente unida com um número de militantes de organizações islamitas participaram de um levante militar em Bala Hissar, uma guarnição em Kabul (popularmente relembrado como insurreição de Bala Hissar). A insurreição foi selvagemmente suprimida pelo regime e um grande número de membros do Grupo Revolucionário foram mortos na luta, sucumbiram sob tortura ou foram sumariamente executados. A correção da política e da linha de ação tomadas pelo Grupo Revolucionário em formação de uma frente unida com os islamitas e participando em um levante militar continuaram em debate nos círculos marxistas afegãos, mas como mencionado em um documento da OLA, a insurreição de 5 de agosto mostrou aos marxistas patriotas não vacilaram em se tornar a linha de frente na batalha quando a defesa do povo e a independência da pátria estavam limitadas e os mares de sangue separavam os Sholayis dos traidores revisionistas Khalqis e Parchamis.
Para os marxistas e revolucionários afegãos foi uma conclusão precipitada na luz da total rejeição do regime pelo povo e a crescente falência do regime em todos os aspectos que governança da União Soviética deveria assumir para salvaguardar seus interesses estratégicos. Como era de se esperar, o regime do PDPA rapidamente se degenerou em uma confusão entre os cães de fila do partido, tentado atacar suas gargantas, tendo Alexandr Puzanov, o embaixador soviético e velho mestre espião agindo entre ambos, como patrão e árbitro. Hafizullah Amin, tenente das inescrupulosas e megalomaníacas ambições de Taraki na facção Khalq rapidamente foi dos Khalqis para os Parchamis e teve a cúpula Parchami banida e alguns deles entregues para a onipotente AGSA política secreta de “investigação”. Logo depois ele voltou para o seu mentor, Taraki, e, em cena dramática que lembra muito aos mafiosos de Nova Iorque, houve um tiroteio no palácio presidencial na presença do embaixador soviético. O “poderoso chefão” soviético deu as tácitas bênçãos a Taraki por ter aniquilado o egoísta Amin, mas o plano deu errado e Amin conseguiu escapar ileso enquanto seu ajudante Daoud Taroon foi morto. Esta foi a última gota. Amin tinha Taraki imperiosamente preso e assumiu todos os seus títulos oficiais. Um certo tempo depois Taraki, o “Grande Líder”, o “Prodígio do oriente” foi sufocado até a morte sob as ordens do seu “leal pupilo” e “discípulo devoto” Amin. Amin estava agora no topo e estava efusivo em seus freqüentes elogios a União Soviética, mas ele não poderia enganar os soviéticos. Ele frustrou os planos do Kremlin, e frequentemente embaraçava Moscou e expulsou a velha mão soviética na intriga política no Afeganistão que estava presente até quando ele tinha suas chamadas secretas. Mas Moscou teve dores por ter “peças sobressalentes”. Mas Moscou levantou um dedo e os figurões Parchamis foram banidos como embaixadores em diferentes países pelos Khalqis poderem receber rapidamente suas ordens. Em 27 de dezembro de 1979, Babrak Karmal foi ar numa estação de rádio na então República Socialista Soviética Tadjique e anunciou a inauguração da nova e evolucionária etapa da “Gloriosa Revolução Saur”. Amin naquele dia foi envenenado por seus guardas russos no seu palácio em Kabul e “contingentes limitados” da União Soviética apareceram no Afeganistão com Babrak Karmal empoleirado no cano dos tanques. O velho informante do Príncipe Daoud e ás da KGB estava agora no poder.
A guerra de resistência

O pior deveria ter que passar. A terra do independente povo fanático foi ocupada por um invasor estrangeiro e um desprezível traidor  firmado neles com uma arma apontada enquanto governante. O povo foi às armas, geralmente nada melhores do que facas de cozinha ou armas de fogo enferrujadas do século XIX. Para o movimento revolucionário marxista no Afeganistão era uma época de grande tribulação. Um movimento novo que ainda não tinha se encontrado em suas orientações, e que ainda “não tinha dentes”, estava selado com o formidável desafio de colocar seu marco na luta de libertação nacional contra uma superpotência armada até os dentes. Este era um país que ainda continuava sob os sofrimentos das relações de produção semi-feudais, lutando com uma agricultura primitiva e um analfabetismo de quase 90% e, claro, fortemente religioso. Sagrada soberania de um povo escandalosamente traído pelos “marxistas” e a integridade do país sendo rudemente violada pelo país que Lenin ergueu. O social-imperialismo havia atingido o lar. O conceito popular afegão de honra e da sua total perspectiva do mundo, encapsulada em sua fé religiosa foi agredida e insultada. As massas estavam chorando pelo sangue dos “comunistas” ateus traidores.  Em uma atmosfera o inexperiente movimento revolucionário marxista estava expectativo para atuar na sua histórica missão.

O Afeganistão é a terra natal de diferentes grupos étnicos que devido ao subdesenvolvimento das forças produtivas ainda não estavam completamente fundidas em uma nação no sentido estrito da palavra. Os mesmos fatores que impediram o povo do Afeganistão de se tornar uma nação moderna por mais de um milênio os levou a voltar seus olhares para a religião islâmica uma agente unificadora de todas as classes sociais e denominações étnicas, particularmente em tempos de adversidade na história. Com a chegada ao poder do traidor PDPA e particularmente após a invasão e ocupação do Afeganistão pela União Soviética, o chamado para a Jihad – guerra sagrada – começou a ecoar por todos os cantos do país, pelos planaltos e vales. Como foi contra os britânicos no século XIX e começo do século XX, este era o único caminho para um povo recém-saído da idade média, espiritualmente e materialmente, puderam articular a necessidade de uma guerra patriótica de resistência contra o invasor estrangeiro. Somente a Jihad  poderia prover uma forte motivação, uma simples e bem entendida elucidação ideológica para a necessidade e o dever de dar vida e desfazer em todas tentativas concentradas para livrar o país da corrupção dos traidores nativos e seus mestres estrangeiros. A cacofonia de Amid nas exortações islâmicas para uma Jihad depois do golpe de estado pró-soviético e particularmente após a invasão soviética, os mercadores fundamentalistas islâmicos da fé estavam recebendo ouro.

Os Ikhwanis  haviam feito uma oferta de paz durante a fatídica era de Daoud. Eles estavam em exercício na loucura não como segmento da sociedade afegã apoiadas pelas suas débeis insurreições em Laghman e Panisher. A maioria de seus líderes foram investigados e presos, e certo número deles refugiou-se nas proximidades com o Paquistão onde eles ofereceram seus serviços para as agências inteligência do governo de Zulfikar Ali Bhutto. Eles foram colocados em modestos alojamentos e iam para lá em dias de chuva. Com a invasão soviética do Afeganistão e o despertar do imperialismo ocidental para ter a chance de ficar equilibrado com seu rival social-imperialista após a humilhante derrota no Vietnã, eles saíram do armário e os tornaram líderes “na calada da noite”. A divindade deve estar sorrindo junto com eles e com o astuto e secularizado Bhutto que foi deposto pelo seu chefe de exército, General Ziaul-Haq, as armas, dinheiro de oleodutos norte-americanos e os petrodólares árabes começaram a vazar. Inflados com o dinheiro e armas dos norte-americanos e dos árabes, e surfando em uma maré alta de um sentimento popular anti-soviético, os fundamentalistas em pouco tempo pagaram agentes para explodir no cenário político como sendo líderes dos mujahedin combatentes da liberdade afegãos, e em extensão líderes do povo do Afeganistão. Gulbuddin Hekmatyar, o assassino de Saydal Sokhandan em anos passados, surgiu ao estrelato pela força da sua sagacidade política, cruel, de natureza inescrupulosa e de subserviência desavergonhada para os generais paquistaneses e os figurões com dispensas de armas e dólares dos árabes e dos americanos. Ele não havia esquecido as velhas hostilidades. Ele declarou que os Sholayis, e os verdadeiros revolucionários como sendo “o principal inimigo”, muito mais do que os Khalqis e Parchamis. Nas palavras de uma escritor revolucionário afegão:
O movimento revolucionário no Afeganistão competiu não somente contra os agressores soviéticos. O regime de Khomeinini no Irã e a ditadura de Zia-ul-Haq no Paquistão viam olho por olho  e trabalharam ombro a ombro com os russos e o regime fantoche de Kabul para dizimar os revolucionários marxistas no Afeganistão e anular seu trabalho em torno das massas. Nosso pequeno movimento revolucionário estava sob cerco em todas as direções.
Centenas de marxistas e revolucionários afegãos foram executados nos campos de morte do Polígono de Pol-i-Charkhy  em Kabul durante o período de Taraki-Amin e depois durante os anos da ocupação soviética de Karmal e Najibullah.Centenas mais foram caçados pelos partidos Ikhwani no Paquistão e dentro do Afeganistão. O serviço secreto Khad (braço afegão da KGB) tinha uma seção especial designada para a tarefa de aniquilar todas as organizações e agrupamentos Sholayis. Os Sholayis estavam lutando contra probabilidades impossíveis. Se por uma mão eles estavam no direito consolidado de participar na luta de libertação nacional, em outra mão eles tinham que lutar contra a KGB de um lado, e os cães sanguinários Ikhwanis de outro. E ainda puderam participar na luta de libertação nacional. A Organização de Libertação do Afeganistão (antigo Grupo do Povo do Afeganistão) e a Organização de Libertação do povo do Afeganistão (SAMA) são duas organizações que haviam participado ativamente e fisicamente na Guerra de Resistência. Em certa época a SAMA tinha zonas libertas por conta própria. Com a proeminente presença na luta de libertação nacional para não esperar a fanática reação Ikhwani. Os islamitas não poupavam nenhum Sholay que caísse em suas mãos e não poupavam esforços para pegar os melhores camaradas do movimento revolucionário. Gulbuddin Hekmatyar Hizb-i-Islami era o maior sanguinário quando se tratava de caçar os revolucionários marxistas. Muitos revolucionários intrépidos e muitos patriotas foram assassinados ou desapareceram sem deixar rastros, mataram pessoas em Peshawar, Paquistão, centro da resistência política e das atividades logísticas. O camarada dr Faiz Ahmad, veterano do movimento marxista no Afeganistão e líder-fundador do Grupo do Povo do Afeganistão e depois da OLA, foi entregue pelo Hizb-i-Islami.Era bem sabido o fato que o prof. Qayum Rahbar, líder da SAMA – por razões próprias – ainda não havia documentado este fato. Ao longo dos anos da ocupação russa (por uma ironia ou fato coincidindo com os anos de Zia-ul-Haq no Paquistão) os partidos fundamentalistas afegãos em e o Hizb-i-Islami em particular aproveitaram o status altamente privilegiado que lhes foi dado pelo regime da Zia-ul-Haq. Os recursos das forças armadas do Paquistão, serviços de inteligência, polícia e os fundamentalistas do partido Jamaat-i-Islami Pakistan estavam todos prontos e à disposição dos fundamentalistas afegãos, portanto os revolucionários afegãos e os patriotas seculares não tinham refúgios e recursos para mesmo para um módico recurso ou simpatia das autoridades paquistanesas. Pela extensão, eles estavam privados de todo e qualquer reconhecimento pela mídia mundial
…No presente
O não celebrado e não noticiado movimento marxista revolucionário no Afeganistão desgastado até a extinção desde a esquerda para a direita, é conhecido pela sua flexibilidade. Quase toda a sua liderança e a maioria absoluta dos seus quadros e veteranos foram dizimados pelos Khalqis e Parchamis ou pelos Ikhwanis. Ainda pelo decreto da história do movimento revolucionário marxista continua vivo e imortal. As incríveis e avassaladoras circunstâncias dos anos da Guerra de Resistência obrigaram os verdadeiros comunistas a adotar táticas apropriadas à situação. Um tipo de tática era a de infiltrar nos cargos dos agressivos partidos reacionários islâmicos e organizações até o nível das bases com a intenção de mostrar seu claro limite com as massas e adquirir armas e munição para as forças revolucionárias. Um monumento duradouro da contribuição das forças marxistas para a Guerra Guerra popular de resistência a invasão soviética é o fato de que o nome dos “Sholayis” e “Sholai Jawid” não foi afundado nos quatorze anos de trovejadas e estridências dos islamitas numa guerra que nunca foi permitido ser rotulado como algo pelos islamitas, senão como sendo uma guerra do islã contra o ateísmo e o comunismo. O prestígio dos agrupamentos revolucionários marxistas tem sido aprimorado pela sua ativa presença nas linhas de frente da batalha e da autenticação dos seus personagens intrépidos, pessoas que cuidam e populares informados em assuntos militares e evidente conhecimento e discernimento em análises políticas. A conhecida irreconciliabilidade dos grupos e organizações revolucionários marxistas e com o regime fantoche (e não obstante o surgimento de alguns elementos capituladores e traidores entre eles) teve contribuição para o crescimento do prestígio revolucionário entre as massas e entre os elementos honestos da oposição islâmica. Um compatriota muçulmano bem ortodoxo recordava ao dizer: “Eu sou e sempre serei inimigo para os Sholayis mas em nenhum momento eu duvidei do seu patriotismo e do seu amor pelo povo”.


A Guerra de Resistência contra o social-imperialismo soviético acabou e povo do Afeganistão pode em seu direito reivindicar os louros da vitória. O social-imperialismo foi mandado para o seu devido lugar, a lixeira da história e o clássico imperialismo ocidental também irá mais cedo ou mais tarde. Mas o infortúnio histórico do povo do Afeganistão que depois do golpe fatal ao social-imperialismo, agora tem que se defender de hienas reacionárias raivosas, e os cães acorrentados do imperialismo ocidental. Assim como na guerra de libertação nacional e resistência contra o social-imperialismo soviético, a OLA continua a se levantar na frente da batalha contra as bestas fundamentalistas.

O verdadeiro movimento comunista no Afeganistão é cheio de inumeráveis deficiências, principalmente entre as ambigüidades teóricas e ao mesmo tempo uma confusão organizacional; e é severamente forçado em sua consciência política disseminando tarefas. Mas acumulou rica experiência nas atividades de combate e no trabalho entre as massas. Os revolucionários marxistas afegãos se tornaram veteranos em participações armadas contra o inimigo. Poderia ser possível para os revolucionários marxistas afegãos combinar esta experiência na luta com um forte entendimento das contradições de classes na sociedade afegã, com o aprimoramento da consciência de classe de todos os seus membros e labutando com massas, e com o aproveitamento da forte confiança de um povo fatalmente traído em nome do Marxismo-Leninismo pelos patéticos social-imperialistas, a história irá testemunhar as mudanças dramáticas na arena política do Afeganistão. A profundidade e a amplitude da desonra e da selvageria no atual regime fundamentalista islâmico do Afeganistão é sem precedentes na história mundial contemporânea como sendo a devastação infligida na moral e na fábrica material do país e do povo. Não os fundamentalistas, mas as bestas ultra fundamentalistas que agora estão preocupando o que resta da pele e dos ossos do povo afegão. O que o mundo o mundo está testemunhando no Afeganistão na atualidade é um ultra-reacionário fascismo religioso, apartheid de gênero em massa e o ultra fundamentalismo reunidos. Como sem precedentes a tirania medieval será correspondida através da flexibilidade, heroísmo e fé dos comunistas afegãos em sua histórica missão de tirar seu país e seu povo do atual inferno e guiar as massas trabalhadoras para uma sociedade livre dos grilhões do feudalismo e da exploração capitalista de muitos por poucos. Isto sozinho é já o suficiente para garantir que tal monstruosidade política anacrônica não pode e não deve viver por muito tempo. A história deve sempre encontrar a OLA em seu posto.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Segue a luta das massas contra governos de rapina

Viva a brava ação dos manifestantes mexicanos!!! 

Depois do poderoso levante popular em Burkina Faso, agora é vez das massas do México se levantarem contra o podre governo burocrático-burguês daquele país. Na noite de ontem (dia 9/11), manifestantes tentaram arrombar e incendiar as portas do Palácio Nacional do México. Segundo os informes, os manifestantes exigiam justiça aos 43 estudantes normalistas desaparecidos desde o dia 26 de setembro deste ano.
A página da web do "El Comercio", periódico burguês do Peru, tratou de dizer que o ato foi causado por "una pequeño grupo" de manifestantes, com o intuito de desmoralizar o ato de valentia dos manifestantes. Porém, os milhares de manifestantes se solidarizaram e apoiaram ato contra o palácio do velho e carcomido poder mexicano.



VIVA A PODEROSA LUTA DAS MASSAS!

JUSTIÇA AOS 43 ESTUDANTES DESAPARECIDOS!

sábado, 18 de outubro de 2014

DILMA OU AÉCIO? NENHUM DELES!


Infelizmente, nessa reta final da farsa eleitoral, tem muita gente que se diz comunista mas acaba se iludindo com argumentos de gente frouxa, dizendo que "se a Dilma não é tão boa, o Aécio será pior", que "o povo teve muitas conquistas no governo Dilma", e toda aquela abobrinha trotskista e social democrata que a União Europeia, o Pentágono, a Casa Branca, CIA e todas as ratazanas imperialistas querem que vocês acreditem.

Estes dois camaradas não precisaram pedir voto para lutar pelos direitos do povo.

Como comunistas, lutadores da classe operária, temos um olhar mais apurado e sabemos que "as conquistas dos trabalhadores" no Brasil na gestão seja do FHC, Lula ou Dilma são meras ilusões, e coitado de quem acredita. Pois sendo nós marxistas autênticos, sabemos que só há democracia com ditadura da classe operária, só há democracia com opressão sobre a burguesia, e que as verdadeiras conquistas dos trabalhadores estão muito longe dos meros financiamentos de casa própria (ou cubículos mal construídos) com preços baseados na especulação imobiliária, ou de automóveis fracos, de má qualidade feitos por empresas estrangeiras (a Puma, Gurgel e a FNM não existem mais, o dinheiro que antes ficava nas mãos dos ricos empresários brasileiros, agora vai para os empresários do exterior).

Poderia falar aqui do pro-UNI ou do FIES, que aparentemente facilitam a entrada dos jovens na faculdade. Realmente seria fácil e grande conquista para os estudantes se o passe fosse livre em todo o país, e que o vestibular (instaurado em 1964 seguindo o padrão norte-americano de ensino) fosse abandonado, isso seria democratização do ensino, ao invés de tapar o sol com a peneira adiando a dívida dos estudantes no caso do FIES.

Como parte das "conquistas" do povo trabalhador, está a compra de novos fuzis para o Exército Brasileiro, que, segundo o G1 portal web da rede globo de notícias, o governo teria investido algo em torno de 50 milhões só no projeto, encomendaria cerca de 200 mil fuzis sendo que cada um deles custaria em torno de 5,5 mil Reais.

Para misturar com os preços dos bens de consumo aumentando somado a um salário mínimo que NUNCA acompanha os gastos reais da família brasileira, tem também a dívida externa que só no ano de 2014 está em torno de 330 bilhões de dólares. É assim que o dinheiro suado do povo, das massas se transforma: em bilhões jogados fora com a "Copa das Copas", com as mordomias da "corte" do governo brasileiro, na compra de fuzis e aviões que são usados contra o povo e contra os camaradas combatentes dos países vizinhos do Brasil, isso tudo contando com o gasto que o governo tem ao liderar a "missão de paz" da ONU no Haiti, que piorou a vida dos haitianos, já que muitos soldados da ONU no Haiti estiveram envolvidos com estupros, torturas, ameaças à civis e prostituição.


Índio da tribo guarani-kayowá sendo levado preso em 2013 no Rio de Janeiro.
O governo brasileiro seja nas mãos do PSDB ou do PT continuará a temer a luta do seu próprio povo. Isto ficou bem claro nos últimos tempos, durante os protestos de junho, os protestos contra a copa, contra a farsa eleitoral e demais lutas, especialmente as lutas por terra no interior do país, onde as autoridades políticas estão envolvidas até o pescoço em desmatamentos ilegais, "grilagem de terras", mortes, torturas e ameaças aos camponeses pobres e aos indígenas. Pudemos ver a repressão que o governo fez através da polícia e a campanha de desmoralização utilizando a grande mídia, mostrando os manifestantes como um "punha de baderneiros", quando na verdade eram milhares de pessoas saindo as ruas para a luta de classes.


Aliança obscura: Lula em calorosa saudação com Paulo Maluf
Portanto, juntos aos comunistas marxistas-leninistas-maoístas, e não-frouxos, levantamos as bandeiras da revolução proletária, da Nova Democracia, do internacionalismo proletário, da revolução agrária, do pensamento de Manoel Lisboa de Moura, e da ditadura do proletariado, rechaçando qualquer propaganda eleitoral, qualquer apelo ao sentimentalismo bobo, as mentiras, e intrigas que os imperialistas e seus lacaios fazem questão que acreditemos. A mudança verdadeira ocorre através do processo  racial de mudança do poder, e não através de alianças obscuras, conversações com crápulas do senado, do executivo, do legislativo e judiciário. Só pode ocorrer com o povo brasileiro, operários, camponeses, estudantes, professores, intelectuais progressistas, trabalhadores autônomos, minorias étnicas tomando de assalto os gabinetes das câmaras de vereadores, gabinetes da prefeitura, câmara de deputados, senado e todas as repartições do governo burguês, a fim de destruir tudo e reerguer sobre os escombros do velho e carcomido governo federal, um novo governo, uma NOVA DEMOCRACIA, uma ditadura da classe operária! Assim se faz a democracia!

Com os comunistas do Brasil e do mundo todo bradamos:

VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO!

ABAIXO AS ELEIÇÕES BURGUESAS!

VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!

ELEIÇÃO NÃO! GUERRA POPULAR SIM!

ABAIXO A DEMOCRACIA BURGUESA!

VIVA A DITADURA DA CLASSE OPERÁRIA!

VIVA AOS PARTIDOS E ORGANIZAÇÕES COMUNISTAS DE TODO O MUNDO!

YANKEES, GO HOME!




quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Declaração do TKP-ML sobre a heroica resistência do povo curdo em Kobani


NOTA: O seguinte artigo é uma tradução para o português do Brasil de um artigo do TKP-ML que por sua vez foi traduzido do espanhol pelo blog revolucionário Gran Marcha Hacia El Comunismo.


Nota- Reproduzimos a continuação da recente declaração do Bureau Internacional do TKP/ML (Partido Comunista da Turquia / Marxista Leninista) “Vitória da heróica guerra de resistência do povo curdo em Kobani contra o EI!” que extraímos da web Signalfire e que nós do Gran Marcha Hacia el Comunismo traduzimos para o espanhol:

VITÓRIA DA HERÓICA GUERRA DE RESISTÊNCIA DO POVO CURDO EM KOBANI CONTRA O EI!

As potencias imperialistas dos EUA. Reino Unido e França promoveram, alimentaram e armaram aos grupos reacionários como a Frente AL Nusra e o EI (Estado Islâmico) a fim de que combatessem o regime de Assad em seu nome. Somente quando deram conta que estes grupos não eram capazes de derrotar ao regime de Assad, começaram a distanciar-se deles até que seus interesses no Iraque se viram ameaçados. Agora querem que sejam vistos como confrontados pelo EI.

O imperialismo norte-americano criou a Al-Qaeda para combater aos russos no Afeganistão, porém quando a Al-Qaeda entrou em contradição com os interesses estadunidenses, eles se voltaram contra. Depois da captura de Mosul pelo EI, tendo compreendido que sua dominação imperialista se veja ameaçada pelo EI, agora através da OTAN iniciaram uma coalizão internacional contra o EI. A única razão pela qual o Estado turco não queria formar parte da coalizão se deve as suas estreitas relações com o EI. O mundo inteiro deve saber que a resolução aprovada em 2 de Outubro pela Grande Assembléia Nacional Turca não vai contra o EI.

Esta resolução oficial que permite aos soldados turcos serem enviados para a Síria e Iraque está de fato dirigida contra o povo curdo em Kobani e Rojava (seção da pátria curda na Síria) que declarou a autonomia na região. A resolução oficial permite ao Estado turco criar uma zona tampão na fronteira da Síria e declarar uma zona de exclusão aérea. A resolução coloca em ênfase, inclusive que na Síria o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) supostamente seria uma ameaça, demonstrando claramente o princípio objetivo da resolução e as intenções do Estado turco.

O Estado turco esteve fomentando ataques do EI contra Rojava desde o ano de 2011. Apoiou e fortaleceu ao EI armando-o e sustentando-o. Desde que começou seu mais brutal ataque sobre Kobani, o Estado turco aumentou seu apoio ao EI. Os funcionários confirmaram que combatentes feridos do EI foram trasladados e tratados em hospitais em Adana e Gaziantep. O Estado turco abriu suas fronteiras ao EI com a finalidade de suas forças poderem entrar e sair do país com facilidade. Isto se pode ver na Turquia em numerosas ocasiões na televisão e em transmissões diretas.

O Estado turco é o padrinho do EI. O Estado turco atacou continuamente o povo curdo que trata de ajudar o povo de Kobani cercado e rodeado pelo EI. Especialmente em Suruc, onde muitos curdos se concentraram durante dias, o Exército turco lançou ataques contra as concentrações de curdos, empregando gás lacrimogêneo e projéteis reais a fim de impedir que chegue qualquer ajuda a Kobani. Se por um lado o Estado turco está anunciando que se encontra em conversações de paz com o PKK, por outro lado quando vê a oportunidade, lhe declara seu inimigo e ataca ao PKK. O Estado turco tem duas caras e continua considerando o povo curdo como seu inimigo.

O povo de Kobani não está só. Não necessita da ajuda das potências imperialistas. Não necessita das armas dos imperialistas. Os combatentes das YPG (YekÎneyên Parastina Gel – Unidades de Proteção Popular) e as YPG (unidades femininas especiais das YPG) estão mostrando uma heróica resistência. Sua força é resultado do sólido apoio e recursos proporcionados pelo seu povo e seus camaradas. Chamamos a todos os povos amantes da liberdade em todas as partes para apoiar a estender a solidariedade com a resistência popular contra o EI em Kobani. Unamo-nos em apoio do povo de Kobani e não os deixemos a sós. As armas e armamento pesado em mãos dos grupos criminosos do EI não significam nada diante da heróica resistência do povo curdo transformará Kobani no túmulo do EI. E o Estado fascista turco não pode impedir


TKP /ML – Bureau Internacional
10 de Outubro de 2014



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

BOICOTAR AS ELEIÇÕES!!!



Essa pergunta está tornando-se cada vez mais freqüente a cada dia devido a proximidade das eleições. E você, já escolheu seu candidato?

Caso tenha escolhido já algum candidato, pense bem, reflita, porque seu voto em NADA vai mudar a atual situação do país. Por muitos anos tem se repetido a farsa eleitoral, e pouco ou nada tem sido feito. O país continua devendo para os estrangeiros, o preço dos bens de consumo aumenta a cada dia enquanto que escolas e hospitais seguem decadentes. Agora que chegou o mês de outubro, os sorrisos estão ainda mais fingidos, os políticos prometem mundos e fundos para o povo, enfim, não precisa fazer delongas, porque nos últimos anos o povo já tem rechaçado o atual jogo político brasileiro.

Enquanto o país caminha por um processo longo e doloroso de ruína, os “novos políticos” apresentam as mesmas propostas, aliás, propostas molengas que só visam encobrir o caos que tem surgido nas grandes cidades e a situação de abandono no campo.

Querem fazer “nova política” com o velho discurso elitista ou social-democrata. Vemos quão ridículos são os políticos que vão desde o PSDB até o PCB. Enquanto os políticos da velha direita oligárquica se limitam em manter o velho estado porém com uma fachada mais conservadora, defendem privatizações mais amplas, redução da maioridade penal, os políticos da “nova esquerda”, não passam de iludidos com as eleições, pensam que reformas políticas poderiam resolver o problema do país.

A política brasileira possui uma lista horrorosa de partidos, formado não por pessoas com intenção de servir, mas de serem servidos pelas regalias e pelos altos salários às custas do povo. Pior que a ideologia (se houver) dos partidos, são suas propostas, que vão desde a redução da maioridade penal (um verdadeiro absurdo contra os jovens) até a liberação da maconha com a cobrança de IMPOSTOS sobre o produto. Quer dizer, não bastasse o Brasil ser o segundo país que mais consome álcool no mundo, o maior exportador de tabaco do mundo, sofrer com a epidemia do crack e do oxi, pensam que a maconha poderia resolver o problema da criminalidade no país?

Em qualquer jornal que possamos folhar, especialmente jornais populares e democráticos como o A Nova Democracia, podemos ver o emaranhado de contradições a qual o nosso país está metido. É claro que a grande mídia vai querer dizer que isso tudo é culpa do povo que vota mal, mas não é verdade, a culpa é desse sistema podre, dos seus políticos, que não sabem gerenciar, pois estão muito ocupados enchendo a pança, gastando dinheiro com inutilidades e procurando encher seus bolsos.

PORTANTO, NÃO VOTE! ANULE!

ELEIÇÃO NÃO MUDA NADA! VIVA A GUERRA POPULAR!


ABAIXO O GOVERNO DEMOCRÁTICO-BURGUÊS! VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!

De Kruschev a Putin


Muitos camaradas estão agora iludidos com Putin e a posição da Rússia no cenário mundial. Surgem muitos odes à Vladmir Putin e à “Nova Rússia” por bater de frente com o imperialismo inglês e norte-americano. Seria Putin um antiimperialista ou um estaria ele reerguendo a Rússia como potência imperialista?

A história parece repetir-se como nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, em que fatores como a tensão entre os países da Entente e da Tríplice Aliança, a ausência de um país baluarte da revolução proletária mundial, e a forte influência da social-democracia fez com que muitos camaradas e organizações políticas de esquerda se posicionassem para alguma das alianças imperialistas.

E hoje isto se repete e sempre repetirá ainda que com “outra roupagem”, enquanto houver imperialismo. Vemos a Rússia voltando a afrontar o imperialismo estadunidense como nos anos 60, fomentando grupos pseudo-revolucionários ou pseudo-socialistas  para servirem apenas aos interesses do Kremlim, igual aos golpes militares financiados pelos soviéticos na Ásia e na África como meio de combater o “radicalismo chinês”, ou melhor a luta popular de libertação nacional sob a luz do marxismo-leninismo-maoísmo,  nos anos 60 e 70.

Tomando como bandeira vermelha marxista-leninista-maoísta da luta contra o revisionismo moderno, pode-se concluir que nem a URSS após o XX Congresso do PCUS realizado em 1956, e nem a Federação Russa da atualidade defendem a revolução proletária mundial, mas apenas grupos que possam ser influenciados pela competição da Rússia no campo imperialista.

Há quem diga que o apoio da Rússia aos separatistas da região de Donetsk e a possibilidade de uma invasãorussa na Ucrânia liderada pelos fascistas seja um avanço na luta de classes, na luta pelo Novo Poder, o que não passa de uma ilusão de caráter pequeno-burguês.  Isto é um claro sinal da falta de compreensão do marxismo-leninismo-maoísmo, e até mesmo do marxismo-leninismo em seu estágio inicial. Infelizmente tem muita gente que ”se alimenta do marxismo”, mas não o digere, vomita em forma de apoio a repúblicas burguesas, a regimes fundamentalistas, e a qualquer um que desperte medo nos norte-americanos e na União Européia.

Para quem possui o mínimo de compreensão no marxismo-leninismo-maoísmo, entende que a mudança de governo na Ucrânia (um suposto governo democrático para um governo proto fascista) é mera consequência da mudança de sistema, indo do revisionismo kruschovista ao desmantelamento completo da URSS em 1991 até culminar com o atual governo ucraniano.

A Rússia atual como nos tempos a URSS kruschovista tenta consertar os problemas nos países que estão alinhados aos seus interesses, como em 1956 na invasão da Hungria, em 1968 na invasão da Tchecoslováquia e em 1979 na invasão ao Afeganistão, aliás, as invasões de 1956 e 1968 foram condenas pelos partidos comunistas de todo o mundo que não haviam aderido ao revisionismo kruschovista. Qualquer semelhança com o social-imperialismo não é mera coincidência.

Putin nos tempos da KGB
Fora o fato de Vladmir Putin estar na ponta de lança da Rússia aspirante a imperialista, o presidente russo possui um “belo currículo”  de serviços prestados aos piores governos da URSS e da Federação Russa. Como por exemplo, ter atuado na KGB entre 1975 e 1991, principalmente nos anos 70 e 80, quando a KGB fazia operações contra dissidentes maoístas em toda a URSS. Dá para citar também o fato de Putin ter sido funcionário do governo de Boris Ieltsin, e numa época não muito distante, ter sido primeiro ministro do governo de Dmitri Medevedev.

De 2007 a 2012 o presidente Medevedev deu total apoio e prometeu  levar adiante uma nova onda de “desestalinização”, gastando o dinheiro pública com livros e propagandas anti-Stalin, comprando repórteres para contar mentiras inventadas pelos nazistas e trotskistas acerca do timoneiro Stalin.

É claro que Putin poderia ter ficado fora disto atendo-se somente às suas funções de primeiro ministro do governo de Medevedev, mas ele também mostrou ser um belo anticomunista como todo político democrático-burguês. Dá para citar como exemplo uma de suas viagens à Polônia ele se lamentou pela suposta responsabilidade da URSS no “massacre de Katyn”. Qualquer pessoa bem informada entende que o Massacre de Katyn foi perpetrado pelos nazistas durante a segunda guerra, porém, como parte de uma propaganda anticomunista iniciada pelo ministro da propaganda nazista Joseph Goebbles, a execução de milhares de oficiais poloneses foi atribuída ao exército vermelho. E essa mentira ganhou novo fôlego durante a guerra fria e nos últimos anos como tentativa de frear a luta das massas no leste europeu e sua defesa do legado de Stalin.

Em uma entrevista ainda na época de primeiro-ministro, Putin comparou Stalin como Oliver Cromwell, e falou da Rússia tendo seu ”destino prejudicado pelo totalitarismo”.

Mas o papel desempenhado por Putin na luta de libertação dos povos? Nenhum que seja positivo, aliás, vemos o contrário, a velha disputa entre gigantes com sistemas moribundos utilizando países menores como ringue de luta.

Como se sabe, uma revolução bem sucedida não necessita de respaldo de qualquer potência imperialista e nem deve. O sucesso da guerra popular está nas massas, conforme Mao Tsé-tung nos ensina “Se temos as massas, temos tudo”. A revolução russa de 1917, primeira experiência bem-sucedida da tomada de poder pelo proletariado nos deixa isto bem claro, pois não tiveram apoio de qualquer potência, pelo contrário, foram hostilizados pelas potências imperialistas e seus capangas. O apoio internacional dado aos revolucionários liderados pelo Partido Bolchevique, foi o apoio de algumas organizações proletárias.



E foi com o apio e a força da união operário-camponesa que a Rússia e as demais repúblicas socialistas soviéticas enfrentaram as potências no pós-Grande Guerra e unificaram-se formando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas que por quase trinta anos serviu de país baluarte da revolução proletária em nível mundial. Portanto, as forças revolucionárias populares na necessitam de qualquer apadrinhamento por parte de qualquer governo capitalista ou qualquer outro governo, necessitam das poderosa muralha que é as massas de operários, camponeses e de diversas camadas inferiores.


Quanto aos imperialistas nada devemos temer, pois são TIGRES DE PAPEL

domingo, 3 de agosto de 2014

Presidente Gonzalo desmascara o MOVADEF!

Eis o trecho de uma reportagem publicada no final de maio deste ano onde mostra o presidente Gonzalo firme e forte, convicto de sua luta pelo triunfo do povo peruano. Mas o mais surpreendente não é somente sua firmeza perante os agentes do governo genocida peruano, mas a sua declaração a respeito dos falsarios do MOVADEF que usurpam a imagem do Partido Comunista do Peru.