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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Intensifica-se a luta popular nas Filipinas.


Este artigo publicado originalmente em inglês pelo site philippinerevolution.net no dia 24 deste mês, mostra o fracasso da ações militares contra os camaradas do Novo Exército Popular, braço armado do Partido Comunista das Filipinas. O artigo também apresenta um breve relato sobre a expansão do poder de fogo das milícias populares, do NEP, e a grande adesão por parte das massas às associações ligadas ao P.C. das Filipinas.

Eis o artigo traduzido:

NEP e as forças revolucionárias estão em constante aumento de força, prontas para o grande salto nos próximos anos-PCF.

Communist Party of the Philippines
January 24, 2012

O relatório emitido pelas Forças Armadas das Filipinas (FAF) dizendo ter reduzido a força do Novo Exército Popular é bobagem pura. A guerra Oplan Bayanihan do regime de Aquino levada a cabo pela FAF foi um completo fracasso em relação ao seu objetivo que era dizimar as forças do NEP. Ao travarem a sua Oplan Bayanihan, as FAF conseguiram apenas cometer mais violações aos direitos humanos e ao direito humanitário internacional, impondo o seu reino de terror nas comunidades civis em nome da “paz e do desenvolvimento”.

O fracasso de Oplan Bayanihan é marcado pela tendência de crescimento de 15-20% no número de combatentes Vermelhos e de poder de fogo do NEP, com base em relatórios iniciais emitidos por comandos NEP e líderes do comitê do PCF em Cagayan Valley, Ilocos-Cordillera, Visayas Oriental, Panay e Mindanao.


Em Mindanao, o número de ofensivas táticas do NEP aumentou de 40% para 350% no ano passado. Units and commands of the NPA in Mindanao and in other regions are increasingly able to launch more coordinated tactical offensives at the inter-front and regional levels.Unidades e comandos do NPA em Mindanao e de outras regiões estão cada vez mais capazes de lançar ofensivas táticas mais coordenadas a nível interfrontal e regional. Em muitas regiões, o NEP pode agora lançar ofensivas táticas simultâneas ou coordenadas, ainda mais fazendo com que as Forças Armadas das Filipinas e forças estaduais para difundir as suas forças mais finas, por sua vez, tornando-os mais vulneráveis ​​a ataques. Isto é exemplificado pela última tática ofensiva coordenada em 18 de janeiro em Bukidnon que resultou em 22 baixas inimigas.

Houve também um aumento de 15-20% na adesão das organizações revolucionárias de massas. Entidades do governo popular estão agora sendo criadas em níveis mais elevados do que o nível de bairro. A expansão e o fortalecimento das organizações de força popular puderam ser alcançadas como as pessoas, empreenderam intensas lutas de massas antiimperialista, antifeudal, antifascista e democrática em ambas as cidades e na zona rural.

Houve intensa luta de massas contra a incursão de empresas mineradoras, grilagem de terras por grandes plantações e grandes empresas compradoras, aumentam o preço do petróleo, os cortes orçamentários em serviços sociais, bem como contra as operações militares fascistas de Oplan Bayanihan. As pessoas estão sendo despertadas para a ação política. Em Cagayan Valley, o número de ativistas de massas aumentou bastante em 75%. Em um período de apenas três meses, pelo menos 500 pessoas em Leyte juntaram-se à organizações culturais de massas camponesas, de jovens, e de mulheres.

Existem dezenas de milhares de potenciais combatentes Vermelhos que podem servir o exército do povo em suas unidades regulares ou em milícias populares. Tem havido um aumento constante no número de milícias populares armadas e corpos de populares de autodefesa, que estão ligados ao NEP e aumentam sua força. Estas unidades armadas com base nas comunidades locais podem lançar ofensivas táticas e ações de defesa contra o inimigo em suas brutais operações militares. Expandindo ainda mais e aumentando a capacidade das milícias populares, a revolução armada poderá lançar milhares de pequenas e grandes ofensivas táticas nos próximos anos.

No centro de tudo isso estão os quadros e militantes do Partido Comunista das Filipinas. As associações ao PCF continuam crescendo, ganhando cerca de 30% no ano passado em Mindanao e em outros lugares.


O Partido Comunista das Filipinas, Novo Exército Popular e todo o movimento revolucionário tem vindo a crescer em força nos últimos dois anos. O impulso crescente no crescimento do PCF e de todas as forças revolucionárias se colocam em uma posição para conseguir um salto qualitativo em força e conquista de vitórias sem precedentes nos próximos anos.

O povo filipino sempre estará determinado a avançar em suas lutas revolucionárias, pois eles experimentam dificuldades piores sob o regime de Aquino com compromisso de aço em pôr fim ao sistema opressor e explorador e construir um genuinamente um sistema social democrático, justo e progressivo.










segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gandhi estava errado

 "O poder surge do cano de um fuzil." Presidente Mao

Guerrilheiros do Exército Guerrilheiro de Libertação Popular, braço armado do Partido Comunista da Índia (Maoísta)
 É comum ouvir os “comunistas” dizerem que na situação atual, a revolução acontece de forma "democrática" e com fins pacíficos, então quer dizer que tudo o que foi aprendido a revolução bolchevique e tantas outras, eram de caráter totalitário e belicoso? E que o marxismo-leninismo já está ultrapassado? Então, o que é revolução?

O presidente Mao nos ensina do seguinte modo:

“A revolução não é um convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra”.

Em “Princípios Básicos do comunismo” Engels faz a pergunta a e seguir da a resposta sobre a abolição da propriedade privada de modo pacífico:

“16.ª Pergunta: Será possível a abolição da propriedade privada por via pacífica?

Resposta: Seria de desejar que isso pudesse acontecer, e os comunistas seriam certamente os últimos que contra tal se insurgiriam. Os comunistas sabem muitíssimo bem que todas as conspirações são não apenas inúteis, como mesmo prejudiciais. Eles sabem muitíssimo bem que as revoluções não são feitas propositada nem arbitrariamente, mas que, em qualquer tempo e em qualquer lugar, elas foram a consequência necessária de circunstâncias inteiramente independentes da vontade e da direcção deste ou daquele partido e de classes inteiras. Mas eles também vêem que o desenvolvimento do proletariado em quase todos os países civilizados é violentamente reprimido e que, deste modo, os adversários dos comunistas estão a contribuir com toda a força para uma revolução. Acabando assim o proletariado oprimido por ser empurrado para uma revolução, nós, os comunistas, defenderemos nos actos, tão bem como agora com as palavras, a causa dos proletários”.

Pacifismo e conciliação

Por trás de Gandhi criou-se um mito, o grande “pacificador”, um herói da burguesia, pois sim, pacifismo conciliação interessam aos patrões, que temem a violência despertada nas massas, ou como o presidente Mao disse que, a classe média é uma classe vacilante, pois ao mesmo tempo em que não gosta da grande burguesia porque vê seu pequeno negócio sendo arruinado pelo monopólio, ao mesmo tempo teme a revolução, pois sabe que sua propriedade privada pode desaparecer, por isso, sempre procuram o pacifismo, a conciliação.
A mídia burguesa assim como os partidos burgueses, sempre tentam passar uma idéia de que tudo pode se resolver de forma calma, com diálogo, mas, não é de braços cruzados, confiando na comoção da grande burguesia, e nem no cretinismo das urnas que nascerá uma república popular, pode até surgir países que se intitulam socialistas, mas, que não passam de regimes reformistas de conciliação com a burguesia, como foi a Índia, ou Chile, e como é atualmente na Bolívia, Equador e Venezuela.

A "paz" de Gandhi

Na Índia havia dois caminhos para a independência: o caminho revolucionário, comandado pela pequena-burguesia, e o reacionário, comandado pela grande burguesia junto com Gandhi, Nehru (seu sucessor) e o Partido do Congresso, um partido reacionário.


Gandhi e o corrupto Nehru.

Nehru, sucesso de Gandhi é considerado por alguns tolos como sendo um “socialista”, isso porque ele pertencia a uma ala “socialista” do Partido do Congresso. Mas a verdade é que Nehru atuava à serviço do social-imperialismo de Kruschov, inclusive Kruschov financiou armas para que o exército indiano lutasse contra a China Popular em 1962, guerra em que Nehru acabou derrotado, isso porque a Índia sempre teve pretensões em dominar o povo da Kashemira, outras guerras também foram travadas com o Paquistão pela disputa da Kashemira.
A Índia nunca foi um país socialista, foi um estado reformista, a serviço do social-imperialismo soviético e da contra-revolução.
Indira Gandhi, neta de Mahatma Gandhi, também se mostrou outra grande reacionária, envolvida em esquemas de corrupção desde 1971, ano também em que o país se viu imerso numa grande onda de desobediência civil. Em 1975 Indira foi absolvida do processo de corrupção, e no ano seguinte, milhares de pessoas foram presos, na época, falava-se em 30 mil presos políticos, o que talvez poderia ser maior.
Os favelões de Mumbai, Nova Délhi, e a ida constante de indianos em busca de um bom emprego no exterior, a repressão aos trabalhadores e as minorias étnicas, o semifeudalismo, a corrupção, são provas de que o pacifismo não funciona nem na Índia, e nem em outro lugar, é uma palhaçada para qual o governo reacionário indiano está pouco se lixando.
O único meio de resolver os problemas que assolam o país mais populoso do mundo (Índia), é o triunfo da revolução proletária, encabeçada pelo Partido Comunista da Índia (marxista-leninista-maoísta). O partido vem empreendendo uma exitosa luta contra o governo reacionário desde 2004, se faz presente em todo o país, e recusou as ofertas de paz do governo, os camaradas pretendem tomar o poder até 2050. Eis uma das mais poderosas guerras populares deste século, eis o caminho para a libertação do povo indiano.


APOIAR A GUERRA POPULAR NA ÍNDIA!

VIVA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL!!!

GUERRA POPULAR ATÉ O COMUNISMO!!!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A mídia burguesa


A burguesia, não conta apenas com os meios de produção que usam para dominar e explorar a classe operária e os camponeses. E seu poder vai muito além de comandar divisões inteiras de soldados prestes a a defender a propriedade privada e o imperialismo...
A mídia, também é uma poderosa arma dos senhores patrões e chefes supremos, pois, com a atenção da "super culta" massa brasileira, eles FABRICAM VERDADES utilizando as emissoras de TV, as estações de rádio, as editoras...

Através de programas como Jornal Nacional, ou Jornal da Record, com fatos distorcidos e argumentos toscos, conseguem "transformar o anjo em diabo e o diabo em anjo"... Exemplo disso era o que faziam nos tempos da ditadura militar: patriotas, e democratas que lutavam pela libertação do país, eram vistos como vilões, assaltantes, bandidos, estupradores, terroristas, etc...
Mas, existe a mídia popular que desmascara a putaria televisiva, apesar de fraca, e algumas vezes, perseguida por "forças ocultas" ligadas a empresários temerosos...

Porém, que relação isso poderia ter com o programas como "Big Brother Brasil" ou  "Mulheres Ricas"??? Ora, Muitas.

Nisso se enquadra a lavagem cerebral, a tentativa de alienar os trabalhadores, em transformá-los em operários aburguesados, para que passem a admirar o "estilo glamuroso" dessa corja opressora, e assim, perderem a tradição combativa e continuarem a servir aos seus amos-patrões...

ABAIXO A MÍDIA GOLPISTA!!!

VIVA A MÍDIA DEMOCRÁTICA E POPULAR!!!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não é apenas uma reintegração de posse

As ratazanas brindando o massacre.
O blog Grande Dazibao, junto com a Organização dos Guardas Vermelhos repudia de modo firme a ação da polícia contra o os moradores da localidade Pinheirinho.
O blog Grande Dazibao e a O.G.V. parabeniza a heróica resistência dos moradores do bairro Pinheirinho em São José dos Campos (grande São Paulo), pois, a luta destes camaradas é mais do que justa, é muito mais que uma luta por habitação, é uma luta de classes, 10 mil pessoas contra um punhado de burocratas corruptos e tiranos.
E como aparato de manipulação desse grupelho minoria dono do poder, a mídia trata de mentir a respeito dos trabalhadores que lutam por uma vida digna.

Veículo da TV Vanguarda pegando fogo.
O terreno que pertence ao grupo Selecta S/A uma companhia fantasma envolvida em esquemas de corrupção e que deve 10 milhões de reais a prefeitura de São José dos Campos.
Apesar do governo federal ter cancelado a ordem de despejo, o governo fascista tucano fez questão de mobilizar 2 mil homens da policia militar e da Guarda Civil Metropolitana para iniciarem o criminoso despejo no dia 22 deste mês. O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury chegou alegar que a reintegração seria pacífica.
O povo criou sua própria tropa de choque e resistiu bravamente a invasão fascista, queimou um veículo da tv Vanguarda que é capanga da Rede Globo, e apesar da heroicidade a grande mídia em serviço dos crápulas do poder, os trata como invasores, e omite o fato de que a polícia além de ter usado munição de verdade contra os civis, também escondem o fato de pessoas terem morrido durante a ocupação...

As pessoas já estão se despertando contra a opressão deste governo de bandido, e muito mais que uma simples reintegração, esta é uma luta de classes, e o futuro pertence aos trabalhadores...

VIVA A HERÓICA RESISTÊNCIA EM PINHEIRINHO!!!

TRABALHADORES DE TODO O MUNDO UNAM-SE!!!

ABAIXO AO ESTADO GENOCIDA E BURUCRÁTICO BRASILEIRO!!!

VIVA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL!!!


VEJA MAIS SOBRE A LUTA EM PINHEIRINHO. APOIE A IMPRENSA DEMOCRÁTICA E POPULAR:

sábado, 21 de janeiro de 2012

O que é socialismo? O que é comunismo?

Socialismo e comunismo


É socialismo, ou comunismo?

Tem gente que se diz socialista, mas não entende o que é. Várias vertentes políticas se aproveitam para sujar o significado do socialismo como os nacional-socialistas, ou os “socialistas” bolivarianos, ambos, tem base em ideais social-democratas como: nacionalismo burguês, conciliação de classes, reformas no velho estado sem alterar as bases que o sustenta.
Enfim, o que é socialismo? O socialismo, para os comunistas, é uma sociedade de transição entre o capitalismo e o comunismo, pois, na sociedade socialista apesar das bases do velho estado terem sido destruídas, e um novo estado, sob o comando do proletariado estar sendo edificado, ainda permanecem vários elementos que se diferenciam do socialismo, como por exemplo, enquanto no comunismo uma pessoa deve ganhar e trabalhar segundo a sua necessidade, no socialismo a pessoa ganha conforme o seu trabalho, e trabalha por obrigação, no comunismo não há instituições, enquanto que no socialismo existem várias instituições, como o governo, e as forças armadas, no comunismo também não existem nem classes, e nem vestígios de classes, ou seja, a última classe que entrará em extinção é o proletariado.
Mas, existe ou já existiu algum país realmente comunista? Não. Existiram países socialistas, e zonas libertadas socialistas dentro de países capitalistas, as tentativas de se construírem colônias anarco-comunistas falharam.
Antes de surgirem as sociedades de classes, existia o comunismo primitivo, onde não havia propriedade privada, e todo o alimento era dividido segundo as necessidades de cada membro da comunidade. É claro que os marxistas não almejam o retorno a uma era primitiva, pois, as teses para se alcançar o futuro comunismo são baseadas na ciência da classe, o marxismo-leninismo-maoísmo.
O comunismo é um reino de completa harmonia, onde não há contradições de classes, pois as classes deixam de existir, mas, como é que se alcançaria o comunismo?
Para se chegar ao comunismo, deve-se primeiro consolidar o socialismo, e, o socialismo só pode ser consolidado com luta antiimperialista, economia socialista, completa união entre operários e camponeses, e diversas revoluções culturais em um espaço que perdura por décadas ou até centenas de anos, tudo isso, guiado pelo Estado, pela ditadura do proletariado.
Mas o comunismo não pode existir em um só país, como já diziam: “ou entramos todos no comunismo, ou não entra ninguém”. Pois o comunismo é um fenômeno mundial, quando a grande maioria dos países capitalistas ruírem e o socialismo for consolidado na maioria dos países, então, iniciaria a entrada para o comunismo, e, as instituições (Estado, partido, exército, polícia, etc) desapareceriam.
Para que isso possa acontecer, deve-se apoiar as guerras populares lideradas pelos partidos comunistas sob a luz do maoísmo, e aonde não há partidos comunistas maoístas, devem ser criados, para que possam guiar o proletariado na GUERRA POPULAR ATÉ O GLORIOSO SOL, O COMUNISMO!


O socialismo só poderá ser consolidado após dezenas de revoluções culturais.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Fim da URSS, desgraça ou lição?

“O revisionismo no poder é a burguesia no poder”.

                                                       Presidente Mao


Fim da URSS: desgraça ou lição?


Kruschov, o "mascote" da burguesia.

Vinte anos após a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, os historiadores burgueses se esbaldam em dizer que depois da queda da URSS o movimento comunista acabou, que o socialismo acabou, que isso é coisa do século XX, e vomitam argumentos em favor do podre sistema econômico capitalista e do modelo político democrático-burguês.
Os pseudo-marxistas também fazem coro, defendem um “socialismo” através da reforma no velho estado burguês, vomitam asneiras contra o leninismo, ao mesmo tempo em que se declaram leninistas, traduzindo, se dizem leninistas, mas na prática pisam em Lênin e Stalin.
Mas, quem foi o responsável pelo declínio da União Soviética? Brezhnev? Gorbatchov? Yeltsin? Ou o modelo soviético já teria nascido debilitado?
Alguns sejam bem ou mal-intencionados, dizem que foi por culpa de Gorbatchov que permitiu a restauração capitalista na URSS, tanto no campo econômico quanto no campo político, de certa forma sim, mas, Gorbatchov foi quem deu “o golpe derradeiro”, em um país que já estava sendo carcomido pela burocracia, e pelo revisionismo contemporâneo.


Afinal, a culpa foi de quem?

Como foi sintetizado nos anos 60, alguns erros do PCUS deram base para a degeneração da URSS começou com o erro de Stalin, em 1939, em acreditar que na URSS já não havia mais classes, e nem seus vestígios, isso fez com que fosse dado mais importância na questão econômica do que na questão política; mas apenas com dezenas de revoluções culturais é que se faria possível a eliminação das classes e de seus vestígios, pois, de onde mais surgiriam tropas à serviço dos nazistas na URSS, ou ratazanas como Beria e Kruschov, senão de vestígios ideológicos das antigas classes exploradoras?
Apesar deste erro, que não foi corrigido, isso não exclui a grandiosa contribuição dada por Stalin em favor do movimento comunista.
Mas, foi somente com a morte de Stalin que os revisionistas liderados por Kruschov conseguiram tomar o poder, e consolidaram as suas nefastas diretrizes durante o XXº Congresso em 1956, em seu “informe secreto” com base em documentos falsificados e relatos de agentes contra-revolucionários como Soljenitsin, vomitando balelas como a linha política de “dois todos e três pacíficos”[1], e a alegação de que Stalin era “um monstro” e que havia surgido culto à sua personalidade durante os quase trinta anos dessa gloriosa era, isso tudo serviu para castrar e dividir o movimento comunista internacional, fazendo assim, com que surgissem várias cisões entre os partidos comunistas.
Kruschov reaproximou a URSS com a Iugoslávia do reacionário Tito. Sim, Tito, o mesmo que havia negado a Stalin, ajudado aos contra-revolucionários gregos nos anos 50 e ameaçado de invadir a República Popular da Albânia no final dos anos 40, e que havia sido condenado de forma unânime pelos países socialistas em 1947.

Essa já foi a maior estátua de Stalin já construída, ficava na Tchecoslováquia, mas graças aos revisionistas ela foi demolida em 1962.
Além da reaproximação com países contra-revolucionários como Iugoslávia e Estados Unidos, Kruschov também reintegrou antigos inimigos do comunismo, que haviam sido condenados durante os julgamentos ocorridos na URSS entre 1937 a 1938. Assim, durante o XXº Congresso, Kruschov falou em erguer um monumento em homenagem às “vítimas de Stalin”, sabendo disso, os trotskistas enviaram uma carta à Kruschov, saudando o XXº Congresso, e pedindo que o nome de Trotski fosse integrado à lista, e que seu nome fosse gravado no monumento com letras de ouro!
Pressionou países irmãos para que também fizessem o mesmo (reintegrassem velhos elementos antipartido e negassem Stalin), China e Albânia se colocaram contra essa decisão, mas a pressão causou graves danos ao socialismo em alguns países da Europa, como foi o caso da Polônia, onde após a morte do histórico dirigente polaco Boleslaw Bierut em 1956, reintegraram Wladislaw Gomulka, que havia sido expulso do Partido nos anos 40, como se sabe, sob a ditadura revisionista de Gomulka, destruiu-se a base socialista, e criou terreno propício à restauração capitalista, que atingiu o seu ponto mais alto em 1989.
Outro caso também foi na Hungria, quando no mesmo ano, Imre Nagy foi reintegrado ao Partido do Trabalho da Hungria, e iniciou reformas capitalistas apoiadas pela Iugoslávia. A liberação dos elementos anticomunistas na Hungria culminou com um grande levante contra-revolucionário em 1956.
Mas como é que a linha kruschovista ganhou tanta força? Enver Hoxha em uma carta aberta aos membros do PCUS escrita em 1964 [2], diz o seguinte:

“Para realizar esta linha, a camarilha revisionista de Kruschov efetuou grandes e contínuos expurgos entre os quadros do Partido e do Estado, tanto na capital como nas províncias, afastando todos os quadros que ele não tinha confiança e substituindo-os por quadros fiéis a sua linha. Em uma década, Kruschov excluiu do Comitê Central, eleito no XIX Congresso do Partido Comunista da União Soviética em 1952, mais de 70 por cento de seus membros e no XXII Congresso excluiu do Comitê Central, eleito no XX Congresso, quase 50 por cento de seus membros. Ademais, pouco antes do XXII Congresso, sob a cobertura da mudança de quadros, substituiu 45 por cento dos membros dos comitês centrais dos partidos das Repúblicas Federativas, dos comitês do partido das províncias e das regiões, e 40 por cento dos membros dos comitês do partido das cidades e dos distritos. Em 1963, a camarilha de Kruschov substituiu outra vez, sob pretexto da reorganização do partido com base na estrutura de produção, mais da metade dos membros dos comitês centrais das Repúblicas Federadas e dos comitês do partido das províncias”.


Depois da consolidação do revisionismo kruschovista, China e Albânia passaram a servir como baluartes da revolução proletária mundial entre os anos 60 e 70.


Mas o reformismo soviético jamais teria influência através de palavras, teve através da pressão econômica e militar, como tentaram fazer com a Albânia e China, quando estes se negaram acatar as decisões do social-imperialista.
Na China em 1958, foram retirados os técnicos soviéticos que trabalhavam por lá, e na Albânia foi pior, o ministro da defesa soviética disse que apenas uma bomba nuclear seria o suficiente para acabar com toda a população albanesa, além da URSS ter se negado a fornecer comida suficiente à Albânia e à China quando estes países foram afetados pelas secas em 1960, assim, a Albânia teve que comprar milho da França, e a China teve que comprar milho da Austrália.
Para a Albânia também foram enviados espiões, como Yuri Andropov, que na época era embaixador soviético em Tirana, capital da Albânia, ele foi expulso de lá devido a denúncia de ele ser espião, e de fato era, pois era chefe da KGB.

Além da reaproximação com países reacionários como a Iugoslávia e os Estados Unidos, a URSS começou a declinar sob o bastão de Kruschov. O país que antes era auto-suficiente em trigo, a partir de 1963 passaria a importar trigo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a URSS passaria a gastar dinheiro em uma disputa de quem teria o maior arsenal militar, e a partir da gestão Brejenev, os gastos militares aumentariam (pois a URSS passaria a se meter em aventuras militares), enquanto que na questão da economia interna e da política seria descuidado, o que daria mais espaço à degeneração.
Graças as suas calúnias contra Stalin, e contra a teoria revolucionária do leninismo, Kruschov colocou em xeque o marxismo-leninismo, deu início à degeneração revisionista na URSS, e deu argumentos à todos os reacionários do mundo.

Leonid Brezhnev: comunista ou oportunista?


“Um marxismo-leninismo esclerosado, ideologizado, não pode implantar-se no espírito dos jovens”.

Ludo Martens a respeito da era Brezhnev.

Os historiadores burgueses tratam de dizer que Brejenev era “admirador de Stalin” e “ressuscitou a linha dura dentro do Partido”. É verdade? Tem camarada que ainda acredita.
Apesar de um busto de Stalin ter sido construído na URSS em 1975, a subida de Brezhnev era uma jogada, para que o kruschovismo não fosse desacreditado, Brezhnev serviria para dar reforço ao modelo revisionista e anti-stalinista, apesar das críticas contra Stalin terem diminuído, isso foi uma manobra, para evitar reações populares violentas, pois, até hoje os povos da antiga URSS admiram Stalin.
Prova de que Brezhnev era um seguidor das teses de Kruschov está no que foi dito durante o XXIIIº congresso do PCUS, realizado em 1966:

“Durante todos estes anos [1961-1966], o PCUS, inspirando-se da linha definida pelos 20º e 22º congressos do Partido, conduziu firmemente o povo soviético na via da construção do comunismo”.

Como pode ser visto, Leonid Brezhnev não faz críticas à linha anti-stalinista e anti-revolucionária tomadas depois de 1956, mas, ao contrário, faz elogios.
E sua linha marxista-leninista mostra-se tão revisionista quanto a de Kruschov. Em 1964 Brejenev acusou a China Popular de “nacionalista” e de “hegemonista”, ao mesmo tempo em que varria para debaixo do tapete as cisões que estavam acontecendo a partir daquele momento:

“No decurso dos anos translatos, o sistema mundial do socialismo reforçou-se sensivelmente”.

Que melhoria? A URSS rompeu com a China e Albânia, além da URSS também enfrentar algumas divergências com a Hungria, Polônia, Romênia e Coréia do Norte.
Desde os tempos de Kruschov, a economia soviética começou a declinar, durante os tempos de Stalin (1929-1953), a URSS crescia em torno de 10 a 14% ao ano, mas, em 1963 variava entre 5, 4 e 3%!!!
Em 1966, Brezhnev deixou escapar palavras que sustentam esse fato:

“No decurso destes últimos anos, começaram a manifestar-se fenômenos negativos como o abrandamento das taxas de crescimento da produção e da produtividade do trabalho, a diminuição da eficácia na utilização dos fundos produtivos e dos investimentos”.[3]

Bom, mas e quanto a ele ser um “stalinista”? Como já foi dito antes, Brezhnev seguia a linha kruschovista traçada pelo XXº Congresso, e, um dos fundamentos das teses do oportunista Kruschov é a negação da figura de Stalin como continuador do marxismo-leninismo, e como grande dirigente político e militar da URSS, então, aqui vai outra metralha do “camarada” Brezhnev, a respeito do modelo stalinista, durante o XXIV Congresso:

“O partido mostrou a inanidade das concepções dogmáticas que ignoram as grandes mudanças positivas ocorridas nestes últimos anos na vida da nossa sociedade. A liquidação das sequelas do culto da personalidade e dos erros subjetivistas teve repercussões profundamente benéficas na atmosfera política geral”.

Mas, o que caracterizou a era Brezhnev não foi a sua parca visão política, mas, os gastos com equipamentos militares, as provocações, o apoio a regimes reformistas (principalmente os árabes da linha baathista), golpistas aventureiros (Peru, Afeganistão, Etiópia)...

Os revisionistas provaram do próprio veneno quando as tropas do Pacto de Varsóvia tiveram que invadir a Tchecoslováquia em 1968, para tirar Dubeck do poder, após realizar reformas políticas e econômicas. E após a invasão, a Albânia retirou-se do Pacto.

Que beijinho doce que o Brezhnev tem, depois que beijou Honecker nunca mais amou ninguém... XD






Alexandr Dubcek
A subida de Dubcek ao poder não foi uma obra do acaso, com as chantagens feitas por Kruschov para que os países socialistas aceitassem as diretrizes do XXº Congresso, surgiram vários líderes oportunistas (Gomulka e Giereck na Polônia, Ulbricht e Hohnecker na Alemanha Oriental, Dej e Ceausescu na Romênia, etc...)
Dubcek queria apenas ser tão revisionista quanto foi Krsuchov e suas ratazanas, nem que para isso fosse preciso receber dinheiro da OTAN, como aconteceu de fato...

Além de revisionista, Brezhnev era um chauvinista, em 1969 tropas chinesas e soviéticas entraram em combate ao longo de toda a fronteira entre os dois países, os soviéticos atacaram bases chinesas e ameaçaram destruir o arsenal nuclear chinês, por pouco uma guerra nuclear não ocorreu, a URSS estaria disposta a matar civis chineses.


Pequim sendo evacuada, 1969.

Depois da queda do czar, todos os tratados de posse de territórios estrangeiros foram anulados. O conflito ocorreu porque a China por direito quis o recuperar parte de seu território, que deveria passar até o meio do rio Ussuri, Brezhnev não aceitou que a China recuperasse seu território, então, os soviéticos bombardearam as bases militares chinesas, matando milhares de soldados.
Quando um rio faz divisão com outro país, geralmente a linha fronteiriça deve passar no meio do rio. Algum tempo após a morte de Brezhnev, em novembro de 1982, os soviéticos criaram uma lei, que estipula o seguinte em seu terceiro artigo:

“A fronteira passa pelo meio do canal de navegação nos rios navegáveis”

Da invasão da Tchecoslováquia à guerra contra o baluarte da revolução proletária mundial (China), Leonid Brezhnev deu a ele mesmo a medalha da Ordem de Lênin, que era a medalha mais importante da URSS, nos anos 70 ele condecorou-se por quatro vezes com a medalha de Herói da Guerra, tornando-se marechal. Depois, presenteou-se com a Ordem da Vitória, uma condecoração dada durante o fim da guerra patriótica para marechais que dirigiram importantes batalhas, como Jukov, que comandou a defesa de Leningrado e Moscou, participou de Stalingrado e comandou o assalto à Berlim (que não foi o caso de Brezhnev). Quando o marechal Jukov morreu, ele havia recebido 27 medalhas e condecorações, e Brezhnev até sua morte adquiriu 270, dez vezes mais que Jukov!!!

Além do chauvinismo de grande potência, a URSS estava sofrendo de outro mal: a corrupução.
Altos membros do PCUS, como o general Chiolokov, que foi ministro dos assuntos internos entre 1970 e 1982 estava envolvido em esquemas de corrupção e compra de produtos de luxo, foi condenado em dezembro de 1982,  em 1984 foi expulso do partido e perdeu sua patente.
A filha de Brezhnev, Galina Tchurbanov, estava envolvida com tráfico de diamantes junto com seu marido, o general Iuri Tchurbanov. O general Tchurbanov foi condenado a 12 anos de prisão em 1987 durante o “processo do Uzbequistão”, foi libertado em 1993 e entrou para o ramo empresarial.   
No apartamento de Anatoli Kolevatov, que fazia parte da máfia de Iuri Brezhnev (filho de Leonid Brezhnev), a polícia confiscou 200 mil dólares e diamantes avaliados em mais de 1 milhão de dólares!!!

O que Brezhnev fez de diferente em relação a Kruschov, foi na questão militar. Enquanto Kruschov acreditava no pacifismo, Brezhnev entrou numa disputa de quem tem o maior arsenal bélico do mundo, quem consegue mais influência, nem que para isso, tivesse que apoiar governos reformistas (Chile, Egito, Síria, Birmânia) e até mesmo anticomunistas (Peru, Etiópia, Afeganistão), porque assim como Kruschov, Brezhnev não acreditava na força das massas, por isso, nos países onde haviam militares golpistas pró-soviéticos, lá estavam soldados da URSS, para respaldarem um governo que não surgiu do seio das massas, mas sim de um caudilho militar.
Etiópia e Afeganistão apesar de serem governos pró-soviéticos e serem socialistas em palavra eram na prática anticomunistas, muitos militantes maoístas foram torturados e mortos pelos pró-soviéticos no Afeganistão, assim como o exército etíope fazia com os guerrilheiros separatistas da FLPT (Eritréia) que era maoísta, e depois se tornou hoxhaísta.

A invasão do Afeganistão foi um dos atos mais polêmicos da era Brezhnev, e, ali ficou muito claro a intenção social-imperialista soviética.
Em 1978 um golpe miliatar liderado pelo coronel Abdul Khader, derruba o general Mohamed Daud, que 5 anos antes havia derrubado o governo do xá Mohamed Zahir que já estava no poder desde 1933.
O novo governo proclamou a República Democrática do Afeganistão, tendo como presidente Nur Mohamed Taraki, e como primeiro ministro Hafizullah Amin.
Em 14 de setembro de 1979 Taraki foi assassinado e Hafizullah Amin que era mais distante das posições pró-soviéticas tomou o poder, e em 24 de dezembro, a URSS invade o Afeganistão, Taraki foi deposto e morto, e foi substituído por Babrak Karmal. A URSS Alegou estar atendendo o apelo do governo afegão para a luta contra os guerrilheiros, no começo dos anos 80, havia cerca de 100 mil soldados soviéticos estacionados no Afeganistão, e até fevereiro de 1980, autoridades soviéticas ocupavam cargos no governo afegão!!!
O governo do Afeganistão, que se dizia socialista não passava de uma continuação do regime do antigo xá Zahir, com exceção de algumas reformas econômicas, pois, os militares eram os mesmos dos tempos do xá, e a perseguição aos camaradas maoístas continuava.
Este aqui é um trecho de um artigo publicado em 2009 no blog maoísta espanhol “Odio de Clase”, onde fala um pouco do passado e da atualidade do Partido Comunista do Afeganistão, tendo como base é claro, os documentos do Partido Comunista do Afeganistão(Maoísta):

“Sobreviventes da sanguinária perseguição, da repressão da polícia monárquica e dos grupos islâmicos integristas, os maoístas Sholay foram colocados fora da lei logo depois do golpe comunista de 1978: foram presos aos milhares, torturados e assassinados. Entre eles Ahram Yari, que sem dúvida conseguiu deixar uma importante herança política através de seu discípulo Faiz Ahmad, fundador da Organização para a Libertação do Afeganistão (O.L.A.), grupo armado maoísta que durante toda a década de 80 combateu aos ocupantes soviéticos (entrando formalmente no front dos mujahedins combatentes pela liberdade), mas que logo entrou em conflito com os integristas islâmicos de Hekmatyar. Foram exatamente os mujahedins de Hekmayar os que, em 1986, assinaram a Faiz Ahmad, provocando de fato o desmembramento da O.L.A”.

A URSS era um dos países (assim como os EUA) que haviam reconhecido o governo do ditador Lon Lon, que depôs o príncipe Sihanouk.
O governo de Lon Nol ficou conhecido pela sua brutalidade para com os civis sejam fossem eles cambojanos, ou vietnamitas como aconteceu no massacre de Prasaut em 1970, onde vários civis vietnamitas incluindo crianças foram covardemente assassinados por tropas do exército de Lon Nol. Felizmente naquela época ergueu-se uma das maiores forças progressistas mais heróicas da história do Camboja: o Khmer Vermelho.
Quando o governo fascista de Lon Nol foi abaixo, todos os embaixadores incluindo os soviéticos, foram todos expulsos do país, e, o prédio onde ficava a embaixada soviética foi destruído depois que um jovem soldado do Khmer Vermelho lançou um foguete na direção daquele prédio. Isso mostra o quão repudiado era o social-imperialismo soviético por parte do Partido Comunista da Kampuchea, que, ao invés de solidarizar-se com a luta do povo cambojano, reconheceu o governo pró-americano do general Lon Nol.
As relações entre Camboja e URSS só foram restabelecidas depois da invasão vietnamita apoiada pelos soviéticos, essa invasão social-imperialista causou graves danos à economia e ao povo cambojano.

Bom, estes foram alguns fatos relacionados ao período de Leonid Brezhnev, época em que o pacifismo kruschovista foi trocado por uma competição bélica com os Estados Unidos, época em que declínio político e econômico tornou-se mais acentuado, época em que as intenções social-chauvinistas e imperialistas dos líderes soviéticos ficaram muito claras.
Morreu o homem que afirmou que “até 1980 URSS entraria no comunismo”.




O show revisionista não pode parar!

Yuri Andropov
Após a morte de Brezhnev em 1982, seu posto foi ocupado por Yuri Andropov, que Enver Hoxha acusou nos anos 60 de atuar como espião da KGB em Tirana, o que se sabe é que Adropov realmente era chefe da KGB, provavelmente as acusações de Enver Hoxha possuem alguma consistência.
O curto tempo em que Andropov esteve no poder (1982-1984) não se distanciou muito do brezhnevismo, visto que o pessoal que trabalhou com Brezhnev ainda eram os mesmos, as aventuras militares ainda continuavam, e a competição com EUA também.
Na gestão de Andropov realizaram-se algumas reformas capitalistas, que dariam origem pouco tempo mais tarde às reformas gorbatchevistas.



Andropov Morreu e foi substituído por Chernenko, que acabou morrendo em março de 1985, e foi substituído por Mikhail Gorbatchov, o homem que colocaria fim de uma vez por todas à URSS, que até os anos 50 havia servido como forte baluarte da revolução proletária mundial.
Gorbatchov ressuscitou o velho anti-stalinismo de Kruschov. Utilizando documentos falsificados e “arquivos secretos” (também falsos), deu consistência às antigas propagandas psicológicas criadas pelos nazistas, como o “holodomor” e o “massacre em Katyn”, onde a culpa cai toda sobre Stalin.   
Restaurando de forma mais rápida a antiga ordem burguesa, Gorbatchov recebeu elogios de vários líderes burgueses e de trotskistas, que diziam que ele era “o novo Trotski”, que “restauraria a democracia popular na URSS”, mas o que ele restaurou junto com seu comparsa, Boris Yeltsin foi apenas a velha ordem burguesa.

Carter, Bush e Gorbatchov em Nova York.

Outros líderes já carcomidos pelo revisionismo aceleraram o processo de derrocada de outros países socialistas, como na Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Albânia, Alemanha Oriental, Mongólia.
E outros países que ainda se dizem socialistas, como Cuba, Laos e Vietnã também adotaram as reformas capitalistas de estilo gorbatchevista entre 1986 e 1989.

Há esperança

Stalin nunca será esquecido!!!
O fim da URSS e de vários países que haviam adotado o socialismo não é bem uma desgraça, não é um fruto do acaso, essa derrota serve de lição a todos aqueles que se desviam do caminho revolucionário traçado pelos grandes mestres (Marx, Engels, Lênin, Stalin, Mao Tsé Tung).
Quando os reacionários começaram a retornar ao poder no leste europeu, surgiram vários grupos dissidentes destes partidos que deixaram de representar o povo, como aconteceu na Polônia; o camarada Kazimieriz Mijal (1910-2010), que havia participado do governo do histórico líder polaco Boleslaw Bierut, desligou-se do Partido Operário Unificado Polonês (antigo Partido Comunista da Polônia) após a reintegração do reacionário Gomulka, e em 1965 reorganizou o Partido Comunista da Polônia, novamente sob a luz do marxismo-leninismo, defendendo os irmãos chineses e albaneses das intrigas lançadas pelos reformistas poloneses.
Apesar do socialismo ter sido derrotado nos países do leste europeu devido aos descuidos na questão ideológica, as esperanças ressurgem, como se sabe, o capitalismo está ruindo em todo o mundo, e a luta de classes está cada vez mais aguda na Europa.
O capitalismo mostrou-se uma grande ilusão na Europa, países que antes eram cheios de dignidade hoje são pobres. A Albânia é o país mais pobre do continente europeu, enquanto que a Romênia tem o segundo pior salário mínimo na Europa.
Os burgueses que estão no poder na Europa se vêem frustrados a cada dia, sabem que seu reinado está no fim, pois nenhuma força é suficiente para deter a fúria das massas que não aceitam que o essa corja minoria deposite seu fardo sobre o proletariado europeu.
A reação fica tão acoada, mas tão acoada que chega ao cúmulo de proibir que símbolos comunistas sejam exibidos em público como é na Polônia, a própria União Européia declarou que “os símbolos comunistas são contra a moral e os bons costumes” [risos].
Mesmo assim, o povo aspira pela reconstrução das repúblicas socialistas, mais de 70% dos russos são a favor do socialismo, e apesar de Putin e Medevedev fazerem com que os livros de história das escolas russas tenham conteúdo falando mal de Stalin, em uma pesquisa feita por uma emissora de televisão russa o resultado a respeito de Stalin foi o seguinte: 58% o consideravam um herói, enquanto outra parte não opinou e uma minoria o considerava um tirano. Em 2007 foi erguido um busto de Stalin na região da Yakutia, na Rússia, e em 2009 foi inaugurado um busto de Stalin na Ucrânia.
Em 2010 quando se completaram 65 anos da vitória soviética contra os fascistas, apareceram fotos de várias pessoas carregando pôsteres de Stalin, inclusive um ônibus circular em Moscou foi enfeitado com o retrato de Stalin.
Em toda a Europa, seja no leste ou oeste, os partidos comunistas estão sendo organizados, desta vez não sob a luz do marxismo-leninismo, como ocorreu na Europa nos anos 20 e 30, dos anos 60 em diante, apareceram partidos comunistas sob a luz do maoísmo, como o PCML da Itália, o Partido Comunista Maoísta da Turquia que comanda a guerra popular naquele país, tem o PCMLM da França, e em julho de 2000 foi constituído o Partido Maoísta da Rússia, partido de vanguarda do proletariado russo, bem diferente do circo eleitoral em que participa o Partido Comunista da Federação Russa.
O capitalismo está ruindo, e só através da guerra popular que, tanto o trabalhador europeu, como os trabalhadores de todo o mundo poderão libertar-se e finalmente organizar um governo verdadeiramente democrático, socialista, que conduzirá ao brilhante sol do comunismo!

ABAIXO AO OPORTUNISMO, VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO!!!

GUERRA POPULAR ATÉ O COMUNISMO!!!


NOTAS:

[1]: Foi como o presidente Mao sintetizou o revisionismo kruschovista. “Dois todos”: Partido de todo o povo, Estado de todo o povo, “três pacíficas”: transição pacífica, coexistência pacífica, e competição pacífica.

[2]: Enver Hoxha, “Carta abierta a los miembros del Partido Comunistas de la Unión Soviética”, 5 de outubro de 1964.

[3]: Para se ter uma idéia de quão grave ficou a situação econômica na URSS de Brezhnev, em 1975, a URSS foi obrigada a importar 25 milhões de toneladas de grãos dos Estados Unidos, e a colheita de 1979 foi um fracasso: apenas 179 toneladas de grãos.


Bibliografia:

Os anos Brezhnev, Comunidade Josef Stalin;

Almanaque Abril, 1981;

Carta aberta aos membros do Partido Comunista da União Soviética, Enver Hoxha, 1964;

O revisionismo albanês de Amazonas e sua crítica “demolidora do maoísmo”, Albênzio Dias de Carvalho, 2006;

Los Jruschovistas, Enver Hoxha, 1980;

Sobre o problema Stalin, Partido Comunista da China, 1964;

Soluções Ilusórias, artigo do jornal A Classe Operária, janeiro de 1971;

Wikipédia.org;

Guerra Fria, José Arbex Jr, 1997;

odiodeclase.blogspot.com.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Hoxha estava errado


Os capituladores: Amazonas e Hoxha.
Nos anos 60, China e Albânia, Mao e Enver Hoxha representavam a luta contra o revisionismo.
Mas, infelizmente após a morte do presidente mao e a prisão dos camaradas Wang Hong Wen, Jiang Qing, Yao Wen Yuan, Zhang Chun Qiao, Enver Hoxha passou a fazer críticas sem nexo ao maoísmo, inclusive dizendo que os reacionários Hua Guofeng e Deng Xiaoping eram maoístas, algo que nunca foram, e os fatos provaram isso.
Existem vários pontos dos quais Enver Hoxha fez questão de atacar, um dos mais grotescos, é citado no livro “O imperialismo e a revolução” escrito por Hoxha, a “teoria dos três mundos”, no qual ele dizia que era uma teoria social imperialista e com base na teria burguesa dos três mundos, mas a teoria de Mao Tsé Tung em nada se parece com a teoria capitalista dos três mundos...
Em um artigo de jornal de 1977, Hua Guofeng e Deng Xiaoping trataram de distorcer o escrito de Mao Tse Tung a respeito dos três mundos, para usarem como meio de aproximação com as potências imperialistas, junto com uma “salada” de outras citações.
Para quem não sabe, vejamos qual é a concepção burguesa dos três mundos:

-Primeiro Mundo: Países capitalistas desenvolvidos;
-Segundo Mundo: Países socialistas;
-Terceiro Mundo: Países capitalistas atrasados;

Vejamos agora a concepção do presidente Mao Tse Tung em 1974:

“A meu juízo, os EUA e a União Soviética constituem o primeiro; forças intermediárias como o Japão Europa e Canadá integram o segundo mundo, e nós formamos parte do terceiro. O terceiro mundo compreende uma grande parte da população. Toda Ásia, exceto o Japão, pertence ao terceiro mundo; África inteira pertence a este, e igualmente a América Latina”.

Ta certo, mas, como funcionariam estes três mundos na prática? Vejamos o que o presidente Mao disse na Conferência Nacional dos Secretários em 1957:

“No Oriente Médio têm produzido os acontecimentos do canal de Suez. Um homem chamado Nasser nacionalizou o canal; outro, chamado Eden, enviou ali um contingente de soldados, e desatou uma guerra; em seguida, um terceiro chamado Eisenhower tratou de expulsar os ingleses com o fim de apoderar-se do lugar. (...)Estes acontecimentos nos permitem ver hoje donde se encontra o ponto chave das lutas no mundo hoje. Claro está que os países imperialistas vivem contradições muito agudas com os países socialistas, porém o que fazem agora é tomar como si esferas de influência(...) Na atualidade, suas disputas se concentram no Oriente Médio, região de grande importância estratégica e sobretudo na zona do canal de Suez no Egito. No conflito que ali se vive convergem dois tipos de contradições e três forças distintas. Esses dois tipos de contradições são: primeiro, as “contradições inter imperialistas” ou seja, as existentes entre os EUA e Inglaterra e entre os EUA e França, segundo, as contradições entre as potências imperialistas e as nações oprimidas. Das três forças em jogo, a primeiro são os EUA, a maior potência imperialista, a segunda, Inglaterra e França, países imperialistas de segunda ordem, e a terceira, as nações oprimidas. O principal cenário da atual disputa imperialista o constituem Ásia e África, donde tem surgido movimentos de independência nacional. Os EUA recorrem a meios tanto militares como não-militares; é assim como tem atuado no Oriente Médio”.

Enfim, seria mesmo a teoria dos três mundos, uma teoria social-imperialista, ou uma compreensão das contradições inter-imperialistas, contradições estas, que segundo Lênin, constituem a forças de reserva da revolução proletária.

Dava para escrever um livro neste blog, apenas citando as críticas malucas feitas por Hoxha contra o presidente Mao, mas, este livro já foi escrito pelo camarada Albênzio Dias Carvalho, e se chama, O Revisionismo albanês de Amazonas e sua crítica “demolidora” do maoísmo, livro que é um verdadeiro tapa na cara das ratazanas eleitoreiras do atual PCdoB e dos hoxhaístas, que do dogmato-sectarismo vão para o revisionismo.
Eis o livro, uma obra-prima anti-revisionista escrita pelo camarada Albênzio.
Hoxha não era um sujeito desprezível e anti-marxista, mas, seu marxismo livresco, dogmático, se transformou em “fogo amigo”, cuspindo no prato onde comeu, e seu dogmatismo e sectarismo acabou abrindo brechas para elementos anti-partido como Ramiz Alia.

ABAIXO AO OPORTUNISMO, VIVA O MAOÍSMO!

SER COMUNISTA É SER MAOÍSTA!

O Cavaleiro do oportunismo



“O Partido Comunista do Brasil comemora este ano, o 50º aniversário de sua existência e o 10º aniversário de sua reorganização baseada no marxismo-leninismo. A reconstituição do partido se deu através do desenvolvimento de acirrada luta interna dos marxistas-leninistas contra os renegados do comunismo, à frente dos quais estava Luís Carlos Prestes. Os marxistas-leninistas não se dobraram nem diante da reação e do oportunismo de Prestes, nem diante de seus aliados e patrões, Kruschov e Brezhnev. Travando uma luta de princípios em defesa do Partido contra o avassalamento do revisionismo contemporâneo, os comunistas tornaram-se legítimos herdeiros das tradições revolucionárias do heróico povo brasileiro”.[1]

Chega até ser triste ver alguns camaradas tratando a figura de Luís Carlos Prestes como “herói”, mas isso porque não conhecem completamente a história política de Prestes, conhecem apenas o Prestes das revoltas tenentistas e do levante de 1935, se soubessem o que Luís Carlos Prestes fez a partir dos anos 50, teriam o maior repúdio e não o chamariam mais de “cavaleiro da esperança”, mas sim de “cavaleiro do oportunismo”.
Apesar de ter sido uma figura importante no Brasil dos anos 20 e 30, ele apresentou concepções errôneas ao comandar o levante popular de 1935.
Os camaradas soviéticos que foram enviados ao Brasil como gesto de internacionalismo proletário por parte do PCUS aos camaradas do PC do Brasil avaliaram a situação do Brasil e aconselharam que o levante revolucionário deveria ocorrer como na China: uma guerra popular prolongada através do campo em direção às cidades, o conselho era correto, mas o capitão Prestes acreditando dispor de bastante prestígio adquirido dentro do exército após os tempos da Coluna Prestes, optou por um levante que deveria ocorrer dentro das fileiras do Exército Brasileiro, ou seja, seria um golpe militar, mas, que infelizmente acabou fracassando, mas teve sua glória, pois, foi a primeira tentativa em construir um governo popular no Brasil. Alguns remanescentes do levante foram para o campo onde travaram guerra de guerrilha contra o exército de Vargas, mas não foi dada importância a essa corretíssima linha. Com isso, o levante resultou derrotado e vários membros do Partido foram presos e torturados, e o partido só voltaria a tomar fôlego em 1943.
De 1948 em diante, o partido que chegou ter em torno de 200 mil membros, passou a participar das eleições burguesas, mas foi colocado em ilegalidade pelo presidente fascista, o general Eurico Dutra, os parlamentares que pertenciam ao PC do Brasil tiveram seus mandatos cassados, e a polícia chegou a matar alguns militantes do PC.
Então, durante os anos 50, o partido se voltou por continuar participando da democracia burguesa, até que a partir de 1956 a luta entre linhas dentro do partido começou tornou-se mais aguda devido ao XXº Congresso do PCUS, que serviu para consolidar o revisionismo na URSS.
Prestes ao invés de continuar a defender o caminho revolucionário, ficou ao lado dos revisionistas soviéticos, portanto adotou a tese pacifista e a negação de Stalin como grande continuador do marxismo-leninismo.
Quando a situação ficou inviável, a corja revisionista foi expulsa do PC do Brasil em 1962, e se reorganizaram como Partido Comunista Brasileiro, servindo de capanga do social-imperialismo soviético, e cruzando os braços quando os militares tomaram o poder em 1964.
Quando os militares desferiram o golpe em 1964, Prestes declarou que não haveria condições dos militares permanecerem no poder, e que logo eles cairiam, pois bem, os militares ficaram no poder até 1985, e Prestes fugiu para URSS em 1969, mesmo ano em que tropas soviéticas ameaçavam uma guerra nuclear contra o povo chinês, e como se sabe, em 1969 China e Albânia serviam de baluarte para os comunistas de todo o mundo.
Nesse caso, em hipótese alguma Luís Carlos Prestes poderia ser comunista porque:

1º- A URSS em 1969 era um país social-imperialista, não mais servia de baluarte ao movimento comunista internacional como tinha sido nos tempos de Lênin e Stalin.

2º- Um comunista tem o GLORIOSO dever de dar a vida quando for preciso, ao partido e à revolução, pois sem sacrifícios não pode haver vitória.

3º- O ÚNICO meio de lutar contra qualquer governo que defenda a ordem burguesa e imperialista, seja ele um governo “democrático”, seja uma ditadura militar, é através da guerra popular sob o comando do partido.

Prestes voltou do exílio em 1979 depois da anistia, mas, o PCB já pelego, influenciado por teses revisionistas do eurocomunismo e com suas “divergências internas” (como o próprio Prestes falou em uma entrevista em 1986) resultou na saída de Luís Carlos Prestes em 1980, que ficou sem partido algum, ora apoiando Lula, ora apoiando Brizola.
Prestes até o fim da sua vida ficou como apoiador do social-imperialismo soviético, desde Kruschov até Gorbatchov. Sempre apoiando o anti-stalinismo, o aventureirismo militarista soviético e as reformas capitalistas que serviu de golpe derradeiro à União Soviética.

Fora o fato de Prestes ter fugido da batalha no momento em que o povo brasileiro mais precisou de forças progressistas que afrontassem as forças retrógradas dos milicos nos anos 60, Prestes também tem uma visão distorcida do que vem a ser o marxismo-leninismo, e desconhece alguns de seus princípios básicos:

“Então, fui examinar o passado do nosso partido. Encontrei, logo em 45, o erro que eu já me referi. Em que nós negávamos a possibilidade do capitalismo no Brasil. Mas isso tem origens também. E as origens eu fui descobrir no 6º Congresso da Internacional Comunista, em 1928. Esse congresso cometeu muitos erros. Entre eles, elaborou uma tese, um documento que tem esse título "Teses para o desenvolvimento da luta dos povos coloniais e semicoloniais". E esse documento foi aplicado dogmaticamente em toda a América Latina, com exceção de Cuba, que foi o único país que se livrou disso. Os outros todos aplicaram isso. Estão aplicando ainda, até hoje. O PCB aplica ainda esse documento. Isso é um absurdo, porque o Brasil não é mais um país colonial desde quando? Desde o princípio do século passado que se libertou da colônia portuguesa”. [2]

É fato que o Brasil se libertou de Portugal em 1822, mas isso não quis dizer que o nosso país se viu independente na questão econômica, o Brasil sempre esteve dependente das potências, fato é que até o aço que o Brasil consumia até os anos 40 vinha dos Estados Unidos. Até hoje o nosso país necessita do capital estrangeiro, se as empresas estrangeiras entram em derrocada, conseqüentemente os empregados são dispensados e a produção diminui, as vendas diminuem, é como se fosse um efeito dominó, o que acontece lá, é sentido aqui, “a marolinha” da crise pode virar um “tsunami” no Brasil.
Quanto a Cuba, Kruschov aplicou com êxito um de seus planos: transformar países socialistas em satélites da URSS. Cuba durante muitos anos dependeu da URSS, não tratou de desenvolver a indústria pesada, ficou no mesmo sistema semicolonial característico dos tempos de Fulgêncio Batista: exportar o açúcar em troca de petróleo e outros bens industrializados, quando Cuba poderia muito bem ter sua indústria automotiva (e resolver o problema da frota de carros velhos e dos ônibus), Cuba no final dos anos 70, tinha a maior reserva de cromita do mundo, mas essas reservas não haviam sido exploradas.
Ao invés do governo cubano ter gastado dinheiro e forças com a criação de indústria pesada aproveitando a parceria com a URSS, Cuba preferiu gastar enviando soldados para aventuras na Etiópia, Angola, Granada, Congo, e Iêmen do Sul.

Aqui, tem outra declaração de Prestes feita em 1986:

“Mas, o marxismo é Marx, Engels e Lênin” [3]

E Stalin. Mas, cadê Stalin? Será que Prestes se esqueceu da importantíssima figura que foi Stalin para o marxismo-leninismo, para a URSS, e para os povos do mundo? Não, ele não se esqueceu, e até lembrou-se de Stalin em outra entrevista em 1988:

“Stalin, através da violência e do arbítrio, matando muita gente, como diz o camarada Gorbatchev, crimes imperdoáveis”.[4]

Além de apoiador de Gorbatchev, era apoiador do revisionista polaco Wladislaw Gomulka, que foi removido do poder no começo dos anos 70, depois que o povo polonês se rebelou contra a sua “ditadura revisionista” [5]:

O revisionista Gomulka
“Chegou a ser feita a reforma agrária na Polônia, mas criou um problema gravíssimo, político. Um choque com o Vaticano. Quando o camarada Gomulka assumiu o governo, ele verificou que esse era o problema principal que ele tinha que enfrentar. Anulou a reforma agrária, para entregar a terra aos pequenos camponeses e eles ficaram para resolver os problemas políticos da relação do Estado polonês com a igreja”. [6]

Mas que “camarada” é esse que deixa o Vaticano intervir nos assuntos internos da Polônia? Esse recuo perante a reacionária igreja católica serviu para preparar terreno para o surgimento do sindicato Solidariedade, tendo como líder sindical o reacionário Lech Walesa, apoiado pelo papa João Paulo II.







Com certeza muita gente pode se zangar com esse artigo, pois bem, a “unanimidade só existe em cemitérios”, mas, o que foi apresentado aqui não são intrigas lançadas por algum opositor do PCB ou por algum agente da CIA. As palavras de Prestes, foram ditas por ele mesmo, os vídeos da entrevista completa ao programa Roda Viva estão disponíveis no site youtube, a entrevista realizada em 1988 com o jornalista Sidney Resende está disponível no site Marxists Internet Archive, e o artigo publicado no jornal A Classe Operária está disponível em PDF no site da Fundação Maurício Grabois.

NOTAS:

[1]: Artigo inicialmente publicado no jornal Bandeira Vermelha, órgão do CC do Partido Comunista da Polônia, e re-publicado no jornal A Classe Operária, em julho de 1972;

[2]: Entrevista ao programa de televisão Roda Viva, realizado em 1986;

[3]: Ibidem;

[4]: Luís Carlos Prestes em entrevista realizada em 1988 com o repórter Sidney Resende;

[5]: Retirado do artigo: Crise do revisionismo, publicado no jornal A Classe Operária de janeiro de 1971;

[6]: Entrevista ao programa de televisão Roda Viva, realizado em 1986.